A inflação “razoavelmente controlada” de Lula
Para o Copom, no entanto, o cenário de inflação de curto prazo segue adverso
Pressionado pela queda de popularidade em meio à alta de preço dos alimentos, o presidente Lula (PT) afirmou nesta quarta-feira, 5, que a inflação no Brasil está “razoavelmente controlada”.
“A nossa preocupação é apenas evitar que os preços dos alimentos continuem prejudicando o povo brasileiro. É por isso que temos feito reuniões sistemáticas com os setores”, disse o petista em entrevista a rádios mineiras.
“Estamos trabalhando com a ideia de que, primeiro, vamos controlar a inflação. Nós queremos dizer ao povo de Minas Gerais que o reajuste que poderá ser feito na Petrobras, tanto no diesel quanto em outros produtos da Petrobras, ainda estão menor do que estavam em dezembro de 2022″, acrescentou, em uma tentativa de comparar a sua gestão a de Jair Bolsonaro (PL).
“Nós temos consciência que nós vamos baixar a inflação, nós temos consciência que vamos baixar o custo de vida, e nós temos consciência que a cesta básica vai ficar mais acessível ao povo brasileiro”, continuou.
Para Lula, “a economia brasileira está bem”.
“O Brasil está crescendo, o emprego está crescendo, a massa salarial está crescendo. As coisas estão acontecendo, inclusive no Estado de Minas, muitas coisas boas. E nós, então, precisamos cuidar com muito carinho do preço dos alimentos para o povo mais pobre, que é quem sofre com a inflação”, disse.
Copom pede ajuda do governo Lula contra inflação
O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) apontou, na ata da reunião que definiu o aumento da taxa básica de juros para 13,25% ao ano, a necessidade de “políticas fiscal e monetária harmoniosas”.
O Comitê, chefiado por Gabriel Galípolo, disse ter reforçado a visão de que o “esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública têm o potencial de elevar a taxa de juros neutra da economia”, com impactos “deletérios” sobre a potência da política monetária e, consequentemente, sobre o custo de desinflação.
As expectativas de inflação, continuou, “elevaram-se de forma significativa em todos os prazos, indicando desancoragem adicional e tornando assim o cenário de inflação mais adverso”.
“A desancoragem das expectativas de inflação é um fator de desconforto comum a todos os membros do Comitê e deve ser combatida.”
Para o Copom, o cenário de inflação de curto prazo segue adverso.
“Foi destacado, na análise de curto prazo, que, em se concretizando as projeções do cenário de referência, a inflação acumulada em doze meses permanecerá acima do limite superior do intervalo de tolerância da meta nos próximos seis meses consecutivos.”
Leia mais: Ata de Gleisi culpa Campos Neto por alta nos juros
Inflação e a torcida de Haddad
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,52% em dezembro e fechou o ano com alta acumulada de 4,83%, acima do teto da meta de inflação, que é de 4,5%.
Os dados de inflação mostram que o preço da carne bovina disparou 20,84% em 2024, a maior elevação desde 2019. Isso depois de Lula ser eleito, em 2022, com um discurso de proporcionar picanha para os brasileiros.
Mesmo assim, o ministro da Fazenda, apontado como possível sucessor de Lula no PT, não demonstra nenhuma intenção de conter seus próprios gastos para colaborar com a missão do Banco Central e apenas torce para que a alta nos preços seja contida por fatores alheios ao governo Lula.
Leia também: Corrida maluca contra a inflação
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)