USP inaugura centro para aplicar IA no ensino de matemática
Parceria entre universidades estaduais e governo quer transformar pedagogia matemática através de ferramentas de IA
A USP inaugurou na terça-feira, 7, CCD-Iamai (Centro de Ciência para o Desenvolvimento da Inteligência Artificial para Matemática e Aprendizado Inovador), que reúne pesquisadores de três universidades estaduais, gestores públicos, empresas e organizações não governamentais para criar e aplicar tecnologias que modifiquem a forma como estudantes aprendem matemática.
O centro integra a linha de financiamento dos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCD), modelo operacional da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) que orienta a produção de conhecimento acadêmico para aplicações práticas na gestão pública.
Da pesquisa à sala de aula
O Iamai funciona como um conjunto integrado de projetos que vai desde o desenvolvimento de ferramentas de base até sua implementação na formação de professores e na popularização da matemática. A arquitetura do centro prevê ações pautadas pela adoção de inteligência artificial responsável e ética.
O diretor do IME e coordenador do CCD-Iamai, Roberto Marcondes Cesar Junior, disse que o objetivo da instituição é contribuir “com a Seduc e com as instituições parcerias, transferindo o conhecimento produzido para ajudar no ensino da matemática de maneira ética, responsável e segura”.
O reitor da USP, Aluisio Segurado, ressaltou que o centro “conjuga os reconhecidos talentos da academia, do poder público e do setor produtivo, com suas diversas experiências e perspectivas, para trabalhar sobre o mesmo problema: a educação básica brasileira”. Segurado destacou o compromisso de “gerar conhecimento por meio da pesquisa e traduzi-lo para a melhoria das políticas públicas na área da educação matemática”.
A Secretaria Estadual da Educação participa ativamente do projeto. Antonio Barros, assessor da pasta, citou a demanda por “professores de matemática, com domínio da matéria e compreensão pedagógica para a educação matemática” como um dos problemas a ser discutido no centro.
IA em sala de aula
O lançamento do projeto foi acompanhado por atividades de discussão e experimentos realizados nos dias 7 e 8 de abril. Marcos Neira, pró-reitor de Graduação, proferiu a palestra inaugural e refletiu sobre o papel da docência diante da tecnologia.
Neira argumentou que “a pergunta não é se a graduação universitária deve ou não lidar com a inteligência artificial. A IA já está presente no cotidiano acadêmico, já ingressou nas salas de aula, nas rotinas de estudo, nas práticas de escrita, nos processos de pesquisa e inovação e nas interações ordinárias entre estudantes e o conhecimento”.
Para o pró-reitor, a questão central consiste em “como situar a presença, como enfrentá-la com discernimento, como evitar tanto a adesão acrítica quanto a recusa simplificadora e, sobretudo, como fazê-lo sem abrir mão daquilo que constitui o sentido da formação de graduação”.
Neira também pontuou que “não há uso pedagogicamente legítimo da IA na graduação sem trabalho docente qualificado, sem discernimento pedagógico e sem capacidade institucional de sustentar critérios”.
Experiência com alunos
Uma atividade-piloto envolveu 35 estudantes do oitavo ano da escola municipal CEU Pêra Marmelo. Os adolescentes participaram de cinco encontros prévios na instituição de ensino, nos quais testaram a inteligência artificial como monitora de álgebra, receberam letramento sobre seu funcionamento e responderam a questionário sobre percepção e uso da tecnologia.
Os alunos também elaboraram um Manual de Sobrevivência à Álgebra destinado a estudantes do sétimo ano. Os resultados dessa experiência foram apresentados pelos próprios participantes durante o lançamento do CCD-Iamai.
Daniela Mariz Silva Vieira, professora do IME, explicou a motivação do experimento: “O nosso objetivo ao conduzir essa dinâmica com os estudantes do ensino médio foi de, por meio da observação da interação deles com a inteligência artificial, aprender com a experiência e levar esse conhecimento para a formação docente”.
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