Série Vaga-Lume e escritor Marcos Rey são tema de evento em SP
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Se você tem mais de quarenta anos, muito provavelmente tomou gosto pela leitura com os livros da Série Vaga-Lume. No próximo dia 4, segunda-feira, a USP sediará um encontro para celebrar a trajetória do escritor Marcos Rey e o impacto da saudosa coleção de obras que marcaram a literatura juvenil brasileira.
O evento, intitulado O Legado da Série Vaga-Lume: Centenário de Marcos Rey, será às 15 horas, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH). A iniciativa comemora o trabalho de Rey, que faria cem anos em 2025.
Marcos Rey: um estilo único na Literatura Juvenil
Marcos Rey, pseudônimo de Edmundo Donato (1925-1999), dedicou sua vida à escrita, transitando entre jornalismo, rádio, televisão e publicidade antes de focar na literatura. Filho de um gráfico, cresceu cercado por livros, tornando-se um leitor insaciável desde cedo. Seu ingresso no universo juvenil ocorreu em 1981, a convite da Editora Ática, mesmo após uma vasta produção de obras para adultos, como O Enterro da Cafetina e Memórias de um Gigolô.
Para a Série Vaga-Lume, Rey produziu mais de quinze volumes, que se distinguiram por narrativas de investigação e aventura protagonizadas por adolescentes e jovens. Essa abordagem não era comum na literatura policial direcionada para essa faixa etária.
Um aspecto notável de sua contribuição foi a criação de um grupo de personagens recorrentes, estabelecendo uma continuidade que fidelizava o público. O professor Paulo César Ribeiro Filho, organizador do evento, destaca que, quem se identificava com O Mistério do 5 Estrelas, por exemplo, podia seguir novas aventuras com os mesmos personagens em obras subsequentes como O Rapto do Garoto de Ouro e Um Cadáver Ouve Rádio, entre outros.
A metodologia de Marcos Rey também trouxe inovações para o processo editorial. O editor Jiro Takahashi, criador da série, conta que o escritor sugeriu a criação de sinopses detalhadas, uma técnica utilizada na televisão, para que as editoras testassem a recepção dos livros junto aos alunos antes do lançamento.
O legado de um fenômeno editorial
Lançada em 1973, a Série Vaga-Lume, idealizada por Jiro Takahashi, preencher uma lacuna no mercado editorial, ao oferecer conteúdo atraente para jovens de 11 a 14 anos, estudantes do Ensino Fundamental. A coleção alcançou a marca de mais de 8 milhões de exemplares vendidos, com mais de cem títulos publicados, mantendo-se ativa até 2008, com um breve retorno entre 2020 e 2021.
Os livros não apenas contavam histórias, mas também incluíam exercícios, histórias em quadrinhos e atividades lúdicas, integrando-se como ferramentas pedagógicas em sala de aula. Um exemplo de sua relevância pedagógica é o livro Meninos sem Pátria, de Luiz Puntel, que enfrentou um caso de censura em 2018, o que mostra o impacto social do projeto.
O evento na USP, organizado por Paulo César Ribeiro Filho, do Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas da FFLCH, reunirá convidados como Jiro Takahashi e os escritores Luiz Puntel, Marçal Aquino e Sersi Bardari, que compartilharão suas experiências com Marcos Rey e a série. Também serão homenageadas postumamente as autoras Maria José Dupré e Lúcia Machado de Almeida, que contribuíram para a coleção.
E o próprio Jiro Takahashi, figura central no mercado editorial brasileiro com quase 60 anos de carreira, é tema do 11º volume da coleção Editando o Editor, da Editora-Laboratório Com-Arte da USP, que detalha sua trajetória e a criação da Vaga-Lume. Sua contribuição foi reconhecida com o Troféu Contribuição ao Mercado Editorial em 2024.
O evento será gratuito e não exige inscrição prévia.
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