Que fim levou o Playcenter?
O Playcenter, que chegou a ocupar 140.000 m², foi um marco cultural. Mas por que ele fechou suas portas em 2012?
Por quase quatro décadas, o Playcenter foi sinônimo de diversão em São Paulo, um parque de diversões que era referência nacional, conquistou corações e deixou saudades.
Inaugurado em 1973, na Barra Funda, o parque nasceu da visão de Marcelo Gutglas, engenheiro boliviano que, inspirado por parques internacionais, trouxe fliperamas ao Brasil em 1971 e, dois anos depois, transformou um terreno de 30.000 m² num espaço de alegria.
O Playcenter, que chegou a ocupar 140.000 m², foi um marco cultural, mas fechou suas portas em julho de 2012, deixando um legado nostálgico.
O parque começou com atrações simples, como a montanha-russa Ciclone e o Labirinto de Espelhos, mas logo se destacou com brinquedos inovadores. A Super Jet, primeira montanha-russa, e a Monga, show de ilusão ótica de 1977, encantavam visitantes.
Nos anos 1980 e 1990, o auge do Playcenter, a Montanha Encantada e o boneco King Kong, com 15 metros, viraram ícones. As Noites do Terror, iniciadas em 1988, atraíam multidões com temas de monstros de cinema, representando 30% das visitas anuais.
Eventos como o show do palhaço Bozo em 1982, para 30 mil pessoas, e visitas de astros como Michael Jackson reforçavam sua relevância. Com cerca de 60 milhões de visitantes em 39 anos de operação, o parque era destino de excursões escolares e momentos familiares.
Eu mesmo me diverti muito por lá, nas Noites do Terror e mesmo nas montanhas russas, que se não eram tão sofisticadas como as gringas, sempre me deixava com mais medo por medo de alguma falha fazê-la passar reto em alguma curva. Isso é que era adrenalina!
Porém, o sonho enfrentou problemas. A decadência começou no final dos anos 90, com a crise econômica de 1999, que elevou dívidas a 145 milhões de reais em 2001. Acidentes graves, alguns fatais, como a queda de um estudante em 1995 e falhas na Double Shock em 2010 e 2011, abalaram a reputação.
Custos altos com importação de brinquedos, aluguel do terreno e concorrência com parques mais atualizados como o Hopi Hari (que originalmente era para ser uma expansão do próprio Playcenter, veja você), Parque do Gugu, o mais infantil Parque da Mônica e até o mais distante Beto Carrero World, em Santa Catarina, dificultaram a operação.
Em 2012, sem atualizações, com público minguado e com 35.000 m² a menos, o Playcenter fechou de vez, prometendo um retorno que não se concretizou.
Hoje, o que restou do antigo terreno foi desmembrado, com uma parte tomada pelo mato e outra abrigando prédios comerciais e residenciais, mas o compacto Playcenter Family, no Shopping Aricanduva, e a recente aquisição da marca pela Cacau Show em 2024 tentam revigorar o nome.
O Playcenter não foi só um parque, mas um símbolo de diversão dentro da realidade brasileira. Para muitos, chegar com aquele carimbo na mão na sala de aula no dia seguinte era motivo de orgulho.
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