A polêmica cirurgia de mudança de cor dos olhos
Pacientes relataram dificuldade de enxergar, dor no olho, ardência, sensação de areia, aversão a luz e lacrimejamento persistente
A ceratopigmentação – também conhecida como queropigmentação, procedimento estético para alterar permanentemente a cor dos olhos, ganhou destaque após influenciadoras brasileiras como Maya Massafera e Andressa Urach compartilharem suas experiências.
Realizada em clínicas especializadas na Europa, uma vez que essa técnica é proibida no Brasil para fins estéticos devido aos altos riscos à saúde ocular, mas continua a atrair atenção nas redes sociais.
A cirurgia, que custa cerca de 45 mil reais, utiliza laser ou microagulhas para inserir pigmentos na córnea, criando uma nova tonalidade sobre a íris natural. Maya Massafera, por exemplo, transformou seus olhos castanhos em verdes claros em uma clínica na França.
Andressa Urach, que buscou olhos azuis, relatou complicações severas, incluindo dores intensas e arrependimento. “Está doendo muito! Chegando no Brasil, preciso ir urgente ao médico. Por favor, orem por mim”, desabafou Urach em suas redes sociais.
No Brasil, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) permite a ceratopigmentação apenas para casos médicos específicos, como revitalização de córneas opacas em pacientes com deficiência visual. Para fins estéticos, a técnica é vetada pela Anvisa devido aos perigos irreversíveis.
Especialistas alertam para complicações graves, incluindo infecções, lesões na córnea, aumento da pressão intraocular, glaucoma e, em casos extremos, cegueira permanente. “É um procedimento de alto risco, com resultados irreversíveis, que deve ser realizado apenas sob estrita recomendação médica”, afirma o CBO.
O Conselho ainda explica que “Dentre os problemas que podem ser causados pelo uso indevido dessa técnica estão: o surgimento de casos de lesões na córnea que podem ser persistentes e levar a perfuração do olho, infecções graves, e aumento da pressão dentro do olho.”
Apesar do apelo estético, o caso de Urach reforça a necessidade de cautela. Pacientes que passaram pela cirurgia relataram dificuldade de enxergar, dor no olho, ardência, sensação de areia, aversão a luz e lacrimejamento persistente, informa o órgão técnico brasileiro.
Todas essas situações podem levar à redução da visão do paciente, seja na periferia ou no centro da visão, evoluindo, em alguns casos, para a cegueira permanente.
A busca por mudanças estéticas não deve ignorar os riscos à saúde, especialmente em procedimentos experimentais e invasivos como a ceratopigmentação. A polêmica reacende o debate sobre os limites da vaidade e a importância de regulamentações rigorosas, como a que temos no Brasil.
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