Papa nomeia cientista brasileiro para conselho do Vaticano
Carlos Nobre, pesquisador do Inpe e da USP, integra órgão que assessora o papa em temas de justiça, direitos humanos e meio ambiente
O Papa Leão XIV nomeou nesta segunda-feira, 30, o cientista brasileiro Carlos Nobre para o Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral, órgão consultivo da Santa Sé que atua em áreas como direitos humanos, paz, migrações, saúde e emergências humanitárias. Nobre é o único brasileiro na composição do conselho.
Pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e atualmente vinculado ao Instituto de Estudos Avançados (IEA) da Universidade de São Paulo (USP), Nobre formou-se em engenharia eletrônica pelo Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) e obteve o doutorado em meteorologia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT).
Amazônia no centro do debate
Nobre é reconhecido internacionalmente por suas pesquisas sobre a floresta amazônica e os efeitos das mudanças climáticas. Foi um dos primeiros pesquisadores a formular o conceito de “savanização” da Amazônia — processo pelo qual áreas da floresta perdem suas características de ecossistema úmido e denso e passam a se comportar como savana, com vegetação baixa, menor umidade e redução da biodiversidade.
Ao ser informado da nomeação, o cientista declarou que o convite reflete a gravidade da crise climática global e a posição da Igreja diante das consequências ambientais para as populações. “A Igreja tem uma grande importância para a humanidade e, quando ela escolhe olhar para o meio ambiente, ela está olhando para as pessoas. Muitas vidas estão em risco. Estou honrado de ser parte desse grupo e poder ajudar”, afirmou.
O dicastério e o contexto global
O Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral foi criado pelo Papa Francisco em agosto de 2016, a partir da fusão de quatro conselhos pontifícios: o de Justiça e Paz, o de Pastoral dos Migrantes e Itinerantes, o Cor Unum e o de Agentes de Saúde para a Pastoral da Saúde.
A nomeação de Nobre ocorre em meio a alertas de organismos internacionais sobre o agravamento das condições climáticas. A Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência da ONU, divulgou que o calor acumulado pela Terra atingiu um nível inédito em 2025, com efeitos que podem se prolongar por centenas ou milhares de anos.
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