“O cinema não é uma ferramenta política”, afirma diretor húngaro
László Nemes lança ‘O Órfão’, e associa o modelo hollywoodiano ao neopuritanismo de executivos e jornalistas
Para o cineasta húngaro László Nemes, a produção cinematográfica global tem se tornado cada vez mais homogênea, moldada por critérios comerciais e editoriais que, segundo ele, “simplesmente mata a arte”.
A declaração foi dada em entrevista durante o festival de Veneza, por ocasião do lançamento de O Órfão, filme que chegou recentemente ao catálogo da Mubi.
Nemes afirmou que “o cinema mundial está cada vez mais parecido com um produto simplificado de um código hollywoodiano, feito sob medida para o que os executivos e jornalistas consideram bom para o mundo”.
Inspiração na história do pai
O longa narra a busca de uma criança pelo pai desaparecido durante o Holocausto. A trama se inspira na infância do pai do próprio diretor, o cineasta e dramaturgo András Jeles, que viveu situação semelhante.
Segundo Nemes, foi sua avó quem lhe transmitiu os detalhes dessa história familiar quando ele era criança, embora o pai também tenha colaborado na elaboração do roteiro. Por isso, alguns elementos do filme resultam de licenças criativas do próprio diretor.
A narrativa se passa logo após a Revolução Húngara de 1956, movimento popular contra a influência soviética que foi reprimido com o envio de reforços militares russos à região. Nemes nega que o episódio tenha sido escolhido como alusão à atual postura da Rússia em relação à Ucrânia.
Posição sobre arte e política
Para o diretor, “o cinema não é uma ferramenta política. Não deveria ser. Talvez no subtexto, mas não no texto”. Ele defende que o papel do cinema é contar histórias de caráter arquetípico, e cita Hamlet como exemplo de estrutura narrativa que se repete em diferentes tramas.
Nemes também afirma que o meio cinematográfico atravessa, nas últimas duas décadas, um período de concessões voltadas a agradar público, de “muito moralismo, um neopuritanismo”, o que provocaria uma tendência à autocensura.
Outros projetos do diretor
Apesar das críticas à indústria, Nemes tem ampliado sua atuação internacional. Em maio, apresentou no Festival de Cannes o longa Moulin, produção francesa sobre um herói antifascista do país. Seu próximo trabalho, Outer Dark, será rodado em língua inglesa e tem Jacob Elordi no elenco principal.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (1)
Marian
22.06.2026 18:02Estou de acordo. A contaminação é grande, novelas, comerciais, noticiários, grande parte intoxicada por interesses, ficando impróprias para consumo rsrs