‘O Capital’ volta às livrarias em nova edição
Obra clássica de Karl Marx ganha tradução revisada e provoca debates acerca de sua relevância ou impertinência
O Capital, calhamaço político-econômico de Karl Marx, volta às livrarias brasileiras em nova edição. Publicado originalmente em 1867 (volume I), o livro é considerado um texto que continua a instigar o pensamento crítico, e a ganhar aplausos e vaias em proporções parecidas.
A reedição pela editora Ubu, em tradução revisada que incorpora modificações feitas pelo próprio Marx em sua tradução francesa de 1875, reacende o interesse pelas ideias do filósofo alemão e, como não poderia deixar de ser, reabre o debate acerca de sua fertilidade ou de seu esgotamento.
Relevância teórica ou curiosidade histórica?
Volta e meia, a cada crise financeira global, jornais registram que a obra, para uns vista como obsoleta, é procurada por outros, que esperavam compreender as causas e as consequências da turbulência econômica.
Para José Paulo Netto, biógrafo de Marx, O Capital é uma obra inconclusa, que permanecerá relevante enquanto o modo de produção capitalista existir, definindo assim seu status de clássico que não para de provocar e estimular o debate.
A recepção de Marx no Brasil teve momentos importantes. A primeira tradução nacional aconteceu entre 1968 e 1974. A tradução agora relançada, de Regis Barbosa e Flávio R. Kothe, publicada originalmente em 1983 e revisada por Paul Singer, ajudou a fixar o vocabulário marxista no país.
Falem bem, falem mal, mas falem dele
Debates acadêmicos, como os seminários de “O Capital” na USP, a partir de 1958, influenciaram o pensamento crítico brasileiro e a formação de importantes partidos políticos após a redemocratização.
Fernando Rugitsky, professor de economia, aponta que a obra é cheia de tensões e ambiguidades que permitem múltiplas leituras e sua atualidade cresce à medida que a mercantilização avança sobre diversas esferas da vida.
Outros críticos, liberais, conservadores e mesmo social-democratas, apontam que o maquinário conceitual de Marx está emperrado há muito tempo. E, quando funciona, funciona apenas para inspirar engenheiros sociais autoritários, em projetos destinados a pôr fim à democracia, acentuar a pobreza e paralisar o debate.
Pelo sim, pelo não, para o bem e para o mal, um clássico merece ser lido. Inclusive para ser contestado com propriedade.
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