Livros de Sally Rooney são banidos do Reino Unido
Editora Faber afirma que a lei britânica impede o repasse de rendimentos à autora, apoiadora da Palestine Action
A editora Faber deixou de distribuir no Reino Unido os livros da escritora irlandesa Sally Rooney, autora de Pessoas normais, em todos os formatos. O anúncio foi feito na quarta-feira, 14, pela editora e pela autora.
O motivo é o apoio de Rooney à Palestine Action, grupo proibido no país desde julho de 2025: segundo a editora, a lei impede o repasse à escritora do dinheiro gerado pela obra em território britânico.
Decisão da editora
Em comunicado no site, a Faber afirmou que “a legislação britânica atual criou uma situação em que a Faber não pode transferir a Sally Rooney os rendimentos gerados por sua obra no Reino Unido. Por conseguinte, e em pleno acordo com ela, decidimos deixar de distribuir seus livros neste país, independentemente do formato”.
Declaração da autora
Segundo a AFP, Rooney enviou uma declaração por meio de sua agente: “No mês seguinte [à proibição da Palestine Action], publiquei um artigo de opinião em que expressava minha intenção de continuar apoiando essa organização. Por conseguinte, o cumprimento dos contratos de publicação de minhas obras no Reino Unido poderia agora constituir um grave delito penal”.
Ela acrescentou: “Após um processo de consultas e reflexão e com meu pleno consentimento, minha editora, Faber, decidiu, portanto, que não pode mais distribuir meus livros no Reino Unido”.
Proibição e processo
A Palestine Action foi proibida em julho de 2025 e incluída na lista de organizações terroristas, após atos de vandalismo em uma base da força aérea. Desde então, mais de 3.700 pessoas foram presas por manifestar apoio ao grupo.
A cofundadora Huda Ammori move ação contra o governo para anular a proibição; a audiência na Suprema Corte está marcada para o início de novembro.
Doação de direitos autorais
Em agosto de 2025, Rooney, de 35 anos, anunciou que doaria parte dos direitos autorais, incluindo os das adaptações televisivas, à organização: “Tenho a intenção de usar esta renda proveniente do meu trabalho, e minha notoriedade de modo mais amplo, para apoiar a Palestine Action”, em artigo no The Irish Times.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)