Josias Teófilo na Crusoé: O risco da informalidade permanente
Será que chegou a hora de trazermos de volta as formalidades?
Uma das coisas que foram dispensadas com a ascensão das redes sociais são as formalidades.
Com todo mundo tão próximo vivendo num ambiente virtual, fica difícil usar das formalidades das cartas ou mesmo dos e-mails do passado.
A política brasileira já foi mais formal, e a nova direita – um movimento amplificado pelas redes sociais – tratou de eliminar as formalidades da maneira que pôde.
E não é só com Jair Bolsonaro dizendo que usava o apartamento funcional para comer gente, isso está também nos antibolsonaristas, como o MBL, e está no entretenimento – como o programa de entrevistas de Danilo Gentili.
Noto que houve uma saturação do padrão Globo de qualidade, em que todo mundo fingia estar sempre bem, sorridente, não falar palavrão e tratar a todos de modo artificialmente carinhoso.
O mesmo aconteceu na política: houve uma saturação do modelo convencional, que fala e não diz nada, não se compromete e tenta evitar o confronto – isso consagrou-se especialmente no PSDB de São Paulo.
A nova direita veio como uma reação a essa postura, com pessoas que falam na cara, improvisam os discursos, falam palavrões, ofendem os adversários e por aí vai.
No caso do entretenimento, é semelhante: lembro da oposição que existia entre Jô Soares e Danilo Gentili.
Jô Soares foi o grande entrevistador da madrugada da televisão brasileira, mas no final da vida tornou-se excessivamente institucionalizado, por assim dizer.
Fez uma entrevista chapa-branca com Dilma Rousseff no Palácio da Alvorada em um momento em que ela estava com a popularidade baixíssima, antes do impeachment.
Nessa época, Danilo Gentili vinha despontando com características opostas: fez uma entrevista bastante livre com o então deputado Jair Bolsonaro, entrevistou Lobão tratando de questões urgentes naquele momento, e tinha um humor escrachado e bastante ousado.
Gentili atacava as pessoas que não gostava sem rodeios…
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