Izabela Patriota na Crusoé: O conto de fadas tradwife
Talvez o verdadeiro desconforto dos redpills seja perceber que mulheres finalmente podem escolher. E muitas estão escolhendo não depender deles
A internet transformou a palavra “redpill” em sinônimo de um tipo específico de masculinidade ressentida nos últimos anos.
Homens revoltados com mulheres independentes, obcecados por hierarquia sexual e convencidos de que o feminismo destruiu as relações amorosas.
O termo nasceu no filme Matrix. Na história, tomar a pílula vermelha significa enxergar a verdade escondida por trás da realidade confortável.
Na internet, grupos masculinos adaptaram a ideia para defender que os homens estariam finalmente “acordando” para a suposta natureza manipuladora das mulheres.
Mas talvez a explicação seja menos conspiratória e mais simples.
Durante séculos, mulheres precisaram casar para sobreviver. O casamento não era apenas uma escolha afetiva. Era uma estrutura econômica.
Sem renda, patrimônio ou acesso pleno ao mercado de trabalho, depender de um homem fazia parte da vida adulta feminina.
Isso mudou.
As mulheres trabalham, estudam, viajam, alugam apartamentos sozinhas e sustentam filhos sem a necessidade obrigatória de um marido. Ainda existe desigualdade salarial, mas isso por si só não é um problema. O fato importante é outro: a dependência acabou.
E isso alterou completamente o mercado afetivo.
Por décadas, muitos homens foram educados acreditando que bastava ter um emprego para automaticamente conquistar uma esposa. Em troca, receberiam cuidado doméstico, suporte emocional, filhos e alguém responsável pela organização da casa.
Uma espécie de substituição da própria mãe. Ou da babá, em termos menos eufemísticos.
O problema é que houve um descompasso na economia dos relacionamentos. Parte das mulheres avançou academicamente, profissionalmente e…
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