Festival de Angoulême prepara reformulação para retorno em 2027
Evento francês de quadrinhos terá novo nome, identidade visual e modelo de premiação, após cancelamento da edição de 2026
O Festival Internacional de Quadrinhos de Angoulême, na França, passa por um processo de transição administrativa. A organização planeja a retomada das atividades para o ano de 2027. O edital para selecionar uma nova empresa gestora recebe propostas até o dia 12 de março.
A Associação para o Desenvolvimento dos Quadrinhos em Angoulême (ADBDA) supervisiona a escolha da nova administração. O resultado da seleção será divulgado em abril. A mudança ocorre após o afastamento da empresa 9e Art+ e o cancelamento da edição que ocorreria em 2026.
Alterações na identidade e premiação
A futura gestora deverá elaborar uma nova marca para o evento. A nomenclatura “Festival International de la Bande Dessinée” e o mascote “Fauve” são propriedades da antiga organizadora. Por esse motivo, a edição de 2027 terá nome e identidade visual inéditos.
As honrarias entregues aos artistas também passarão por modificações. O título “Fauve” pode ser removido dos troféus a partir de 2027. Uma das novidades confirmadas é o pagamento de quantias em dinheiro para os vencedores de todas as categorias.
De acordo com o site especializado Fora do Plástico, existe uma indefinição sobre o período de realização do festival. David Caméo, presidente da ADBDA, afirmou que o mês de janeiro pode ser mantido para 2027 “dado o prazo mais curto para a sua organização”. Setores da imprensa indicam, porém, uma articulação para alterar a data devido ao clima de inverno.
Contexto da crise e substituição da gestão
A edição de 2026 foi cancelada oficialmente em 1º de dezembro. A 9e Art+ alegou que cortes em subsídios públicos inviabilizaram a execução do projeto. Segundo a empresa, financiadores decidiram não repassar as verbas de forma unilateral.
A gestão anterior enfrentava críticas da comunidade artística desde o início de 2025. Houve acusações de falta de transparência, nepotismo e mercantilização do evento. O grupo de editoras que apoiou as queixas inclui selos como Dargaud, Dupuis e Casterman.
A crise se intensificou após relatos de abuso sexual na edição de 2024. A demissão de uma funcionária que denunciou o caso gerou ameaças de boicote por centenas de autores. Em novembro, o prefeito de Angoulême solicitou o cancelamento da edição seguinte e o afastamento da diretoria da 9e Art+.
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