Dinamarca encerra serviço postal estatal após quatro séculos
O país é o primeiro no mundo a extinguir a entrega pública de cartas devido à redução de 90% no volume de correspondências
A última entrega de uma correspondência na Dinamarca aconteceu na terça-feira, 30, conduzida pelo funcionário Brian Rasmussen. É o fim das atividades de envio de cartas da PostNord, empresa pública com 401 anos de atuação. A nação é a primeira a descontinuar totalmente o serviço postal mantido pelo Estado.
A redução no fluxo de papéis enviados motivou a interrupção das operações. Em um intervalo de 25 anos, a quantidade de cartas distribuídas no território caiu 90%. No ano de 2000, a estatal processou quase 1,5 bilhão de itens, enquanto no ano anterior o total foi de 110 milhões.
Adaptação ao mercado digital
O custo operacional também influenciou o encerramento da unidade. O valor de cada selo para correspondências comuns atingiu cerca de 2,15 libras esterlinas. Diante desses números, a administração considerou o modelo de negócios sem viabilidade financeira.
A PostNord informou que a comunicação entre cidadãos migrou para meios eletrônicos. Segundo um porta-voz da empresa à ABC News, “houve uma grande compreensão por parte do público na Dinamarca. A maioria das pessoas nem se lembra da última vez que enviou uma carta”.
O executivo também ressaltou a visibilidade internacional da medida. Conforme declarou o representante da companhia, “o mundo inteiro está olhando neste momento”. Outros operadores postais globais acompanham o processo dinamarquês com atenção.
Impacto estrutural e social
A extinção do serviço tradicional resultou no desligamento de aproximadamente 1.500 funcionários. Esse volume corresponde a um terço da força de trabalho da estatal. Agora, o foco da organização reside exclusivamente no transporte de encomendas e no comércio digital.
Estruturas físicas que compunham a paisagem urbana estão sendo retiradas. Das cerca de 1.500 caixas de correio existentes, parte foi vendida a colecionadores por valores superiores a 200 libras. Outras unidades serão integradas a acervos de museus como registros históricos.
O envio de cartas passa a depender da iniciativa privada e de quiosques em lojas. Nesses locais, os cidadãos podem depositar itens para destinos internos ou para o exterior. A mudança altera a rotina logística nacional e encerra um ciclo iniciado há quatro séculos.
Moradores manifestaram nostalgia sobre o fim da era das cartas em plataformas digitais. Um dinamarquês disse no X: “Daqui a cinco anos, vou explicar a uma criança de cinco anos o que era uma caixa de correio antigamente”.
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Comentários (2)
Aldo
05.01.2026 18:07Aqui os Correios na prática já extinguiram esse serviço, só entregam cartas se estiverem registradas, cartas simples esqueçam. Como não há o registro nem adianta reclamar.
Edilson
01.01.2026 09:38O governo *ula deveria ver e acompanhar a Dinamarca e evitaria esse custo alto que será pago pelo contribuinte.