Dia Mundial do Livro é celebrado com distribuição gratuita e eventos em 30 cidades
Iniciativas gratuitas marcam o 23 de abril, data escolhida pela UNESCO, em livrarias e espaços públicos de nove estados
Embora o cenário não seja auspicioso, nesta quinta-feira, 23, uma série de ações culturais comemoram o Dia Mundial do Livro e dos Direitos Autorais, data instituída pela UNESCO. Da capital paulista a cidades do Pará e de Rondônia, livrarias abrem as portas à noite para eventos sem cobrança de entrada, enquanto uma instituição de ensino de São Paulo leva obras gratuitamente às ruas do centro.
Circuito noturno chega a nove estados
A Noite das Livrarias acontecerá em 30 municípios, desde São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Pará, Santa Catarina, Rondônia e Paraná, ao Distrito Federal. A iniciativa nasceu de uma articulação entre livreiros paulistanos ligados ao Mapa das Livrarias de Rua e se expandiu para todo o país. Cerca de metade das atividades se concentra na capital de São Paulo.
A programação inclui lançamentos, mesas de debate, oficinas, clubes de leitura, encontros de leitura silenciosa e apresentações musicais — todos gratuitos. João Varella, livreiro da Banca Tatuí e da Livraria Gráfica e um dos organizadores, avalia que a adesão de estados do Norte e Centro-Oeste revela algo além da capital: “Ver essa mobilização em estados como Rondônia e Pará mostra que a demanda por bibliodiversidade e por centros culturais literários é uma realidade nacional”.
A programação completa está disponível em www.noitedaslivrarias.com.br.
Mil livros entregues nas ruas do centro de São Paulo
A Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) realiza mais uma edição do projeto Literatura Espalhada.
Desde às 11h30, uma comitiva de professores, alunos e voluntários partiu da sede da instituição, na Rua General Jardim, 522, em direção à Praça da República, distribuindo mais de mil volumes ao longo do percurso.
O acervo inclui títulos de Machado de Assis e Graciliano Ramos, além de obras de ciências sociais. Com quase 20 anos de existência, o projeto já entregou mais de 100 mil livros à população paulistana.
Leitura em queda no Brasil e no mundo
Mais do que comemorar, é preciso repensar a questão. O momento é de retração. Levantamento do Instituto Pró-Livro, publicado em 2024, indica que 53% dos brasileiros não leram nenhum livro no período avaliado — proporção que supera, pela primeira vez, a fatia de leitores (47%).
A tendência se repete em outros países: nos Estados Unidos, o número de leitores por prazer caiu mais de 40% nas últimas duas décadas, segundo pesquisa conjunta da Universidade da Flórida e do University College London. Na Europa, dados do Eurostat apontam que quase metade da população não leu um único livro em um ano.
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