Dennys Xavier na Crusoé: Quando você não paga por estar errado
Quando um parlamentar aprova medidas economicamente irresponsáveis, ele quase nunca experimenta diretamente seus efeitos
Thomas Sowell tem uma qualidade rara entre intelectuais contemporâneos. Ele consegue condensar estruturas inteiras da realidade em frases curtas, secas, mas carregadas de implicações humanas profundas.
Quando escreve que “é muito fácil estar errado, e persistir no erro, quando os custos de estar errado são pagos pelos outros”, ele não está tão-somente descrevendo um vício da política. Está descrevendo uma deformação recorrente da natureza humana quando protegida das consequências dos próprios atos.
Talvez grande parte da crise política moderna possa ser resumida exatamente nisso. A separação entre decisão e responsabilidade. Entre quem escolhe e quem paga. Entre quem legisla e quem sofre os efeitos da legislação.
A recente aprovação da proposta relacionada ao fim da escala 6×1 e à redução compulsória da jornada de trabalho nasce desse ambiente psicológico tão típico das sociedades politicamente apedeutas.
O debate público foi rapidamente capturado por slogans morais, frases de impacto e imagens sentimentais sobre dignidade, exploração e justiça social.
Tudo envolvido numa atmosfera de redenção coletiva, como se bastasse declarar boas intenções para que a estrutura econômica do país passasse automaticamente a funcionar melhor.
Sowell sempre demonstrou enorme desconfiança em relação a esse tipo de pensamento político movido por abstrações emocionais. Em muitos de seus livros, ele insiste numa ideia extremamente simples, embora sobremaneira impopular: intenções não bastam.
O mundo real não responde à pureza moral – suposta! – das motivações humanas. Ele responde a incentivos, restrições, custos, produtividade e consequências concretas.
Habitamos um país exausto economicamente, esmagado por burocracia, baixa produtividade, insegurança jurídica, excesso de regulamentação e um sistema tributário que consome energia vital de quem produz.
O ambiente empresarial brasileiro funciona sob permanente estado de tensão. Abrir uma empresa exige resistência inumana. Permanecer funcionando…
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