Dennys Xavier na Crusoé: Os piores sempre chegam ao poder
No momento em que legislação e tributação são utilizadas para transferir recursos entre grupos, cresce o incentivo para formar coalizões interessadas nessas transferências
A esperança política resiste aos próprios fracassos: “tudo funcionará melhor quando as pessoas certas chegarem ao poder!”.
Essa confiança infantiloide e anti-histórica no caráter de quem governa desvia nossa atenção de uma pergunta anterior: o que acontece quando uma sociedade concentra poder suficiente para tornar o seu controle extraordinariamente desejável?
A tradição libertária leva essa pergunta a sério.
O homem continua sendo homem quando atravessa a porta de um ministério. Continua sujeito à ambição, à vaidade, ao interesse próprio, ao ressentimento e ao desejo de reconhecimento.
O cargo público acrescenta algo grave neste cálculo de condição humana comum: poder sobre terceiros.
Ao discutir a relação entre propriedade privada e governo, Ludwig von Mises observa que existe no poder governamental uma tendência de ampliar sua esfera de atuação.
A propriedade representa uma barreira a essa expansão porque cria para o indivíduo um domínio protegido da interferência política.
Mises chega a descrevê-la como aquilo que “põe limites à operação da vontade autoritária”.
Pouco depois, torna-se ainda mais incisivo: “Os governos toleram a propriedade privada, quando são compelidos a agir assim”.
Sua provocação culmina na frase: “Um governo liberal é uma contradictio in adjecto”.
A liberdade, nessa concepção, não pode depender da esperança de que os governantes…
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