Congresso junta futebol e literatura em São Paulo
Dez palestrantes abordam desde a saga do Popol Vuh maia até o futebol de várzea paulistano em encontro aberto ao público
A Universidade de São Paulo e a Universidade Presbiteriana Mackenzie realizam, no dia 14 de abril, o 2º Congresso de Futebol, Literatura e Artes, evento que reúne pesquisadores, professores e jornalistas para discutir as relações entre o esporte mais praticado no Brasil e diferentes manifestações culturais.
Com entrada gratuita e sem necessidade de inscrição prévia, o encontro acontece das 14h às 17h na sala 41 do prédio RW da Mackenzie, na Rua Piauí, 143, no bairro de Higienópolis, em São Paulo.
Das arquibancadas à sala de aula
A programação é dividida em dois blocos. No primeiro, denominado Primeiro Tempo, João Henrique Rosa, doutorando da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP e fundador do Grupo de Estudos Futebol, Literatura e Linguagem, abre os trabalhos com a palestra “Do Popol Vuh à Copa do Mundo – Relatos, Ecos e Persistência de Jogos de Bola na América”.
A apresentação traça um paralelo entre o maior torneio de futebol do mundo e práticas com bola registradas em culturas originárias da América, com destaque para o Popol Vuh, texto maia-quiché do século XVI: “Levanto a possibilidade de o forte vínculo do americano, em especial o latino, com o jogo ser um feliz reencontro com práticas distantes”, afirma Rosa.
Ainda na primeira parte, a mestranda Sara Mendes aborda o ensino de espanhol por meio de canções de arquibancada.
O jornalista Emanuel Colombari apresenta pesquisa sobre os pioneiros do futebol no interior de São Paulo, base de um livro inédito de sua autoria.
A mestre Hellyery Agda Silva discute ficção e marginalidade na obra do escritor moçambicano Mia Couto, e a professora Elaine Sartorelli analisa o discurso público dos jogadores de futebol.
História, resistência e fotografia no Segundo Tempo
A partir das 16h, o Segundo Tempo reúne mais cinco apresentações.
O historiador Guilherme Trevisan examina Flô, o Goleiro “Melhor do Mundo”, apontado como o primeiro romance esportivo do Brasil, escrito por Thomaz Mazzoni — jornalista da Gazeta Esportiva, a quem se atribui a criação de termos como Majestoso, Derby e Choque Rei.
Vlad Werá Mirim, da comunidade indígena do Jaraguá, em São Paulo, trata do futebol como forma de resistência cultural.
O mestrando Evandro Lima apresenta pesquisa sobre fotografia no futebol de várzea, e o historiador Dimas Júnior encerra com reflexões sobre o uso do esporte no ensino de história.
No intervalo entre os dois blocos, haverá lançamento de livros, entre eles Futebol & Copas – Uma Aula de História, de Dimas Júnior, e Mbya Jurua Reve: o Futebol e os Guaranis, de João Henrique Rosa e Kuaray Mirim.
A programação completa está disponível no Instagram do grupo de pesquisa. Informações adicionais pelo e-mail joaovrosa@usp.br.
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