Cientista brasileiro entra em lista da Scientific American
Pesquisador da Universidade de Birmingham é reconhecido por estudos sobre dopamina e aprendizado
O biólogo Kauê Costa, 36, natural de Belém, passou a integrar a relação de 28 jovens cientistas em ascensão divulgada pela revista Scientific American em sua edição mais recente.
Professor associado da Universidade de Birmingham, no Alabama, desde 2024, ele se dedica a investigar os mecanismos do sistema dopaminérgico ligados à aprendizagem. A escolha resultou de uma avaliação de centenas de candidatos indicados por instituições e pesquisadores.
Trajetória até os Estados Unidos
Formado em ciências biológicas pela Universidade Federal do Pará (UFPA), Costa teve o primeiro contato com a neurociência por meio do professor Manoel da Silva Filho, seu orientador de iniciação científica. Posteriormente, cursou mestrado na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), da USP.
Diante da falta de estrutura para aprofundar suas pesquisas no Brasil, buscou programas de doutorado no exterior e foi aprovado em seleções nos Estados Unidos, na França e na Alemanha. Optou pelo Instituto Max Planck para Circuitos Neurais, na Alemanha, devido às condições salariais oferecidas.
Em seguida, realizou pós-doutorado no Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas (Nida), vinculado aos Institutos Nacionais de Saúde (NIH) dos EUA, sob orientação do neurocientista Geoffrey Schoenbaum.
Foco em dopamina e erro de previsão
Desde o doutorado na Alemanha, o cientista concentra seus estudos no sistema dopaminérgico, neurotransmissor associado a aprendizado, recompensa e dependência. Sua pesquisa analisa especificamente o chamado erro de previsão de recompensa — sinal produzido quando a realidade não corresponde a expectativas previamente formadas, fenômeno considerado um dos motores do processo de aprendizagem.
Segundo o pesquisador, o trabalho avança também para além dos mecanismos de acerto e erro: “Algumas regiões cerebrais geram representações cognitivas do mundo, e a dopamina também parece sinalizar erros de previsão relacionados a esses estados”, afirma.
Os experimentos do laboratório combinam modelos animais, como ratos e camundongos, e ferramentas computacionais que auxiliam na formulação de hipóteses, além de colaborações recentes com a área de psicologia voltadas a estudos com humanos.
Entre os trabalhos mais citados de Costa está a identificação de alterações comportamentais em uma linhagem de camundongos transgênicos usada amplamente em pesquisas sobre dopamina — alterações causadas pela própria modificação genética dos animais, o que motivou a revisão de resultados obtidos anteriormente com esse modelo.
Casado com uma médica armênia e pai de dois filhos, de 5 e 3 anos, o cientista afirma não ter planos de retorno definitivo ao Brasil no momento, mas mantém parcerias com pesquisadores de Belém. O logotipo de seu laboratório nos Estados Unidos foi inspirado na arte marajoara, referência à sua origem amazônica.
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