Velozes e furiosos
Seis de cada 10 leitos de UTIs são ocupados por vítimas de acidentes de trânsito.

O presidente Bolsonaro foi nesta terça (5) pessoalmente à Câmara para entregar um projeto de lei que alivia as punições para maus motoristas.
A proposta é aumentar o limite de infrações necessárias para suspender a CNH de 20 para 40 pontos. Além disso, a carteira passaria a valer por 10 anos, e não mais cinco, como é hoje.
Também acabaria a multa por transportar criança sem cadeirinha e a necessidade de exame toxicológico para motoristas profissionais, como caminhoneiros e taxistas – entre outras medidas.
A ideia do presidente é encerrar a “indústria da multa”, mas, na prática, o motorista brasileiro dirige muito mal. Confira os dados.
1. Os impactos do Código de Trânsito Brasileiro (CTB)

A legislação mais rigorosa salvou muitas vidas no Brasil. Um artigo publicado nos Cadernos de Saúde Pública no ano passado mostra que “o efeito do CTB começou a ser sentido, em todo o país, já durante o Carnaval de 1998, um mês após o início de sua vigência, quando houve uma redução de 45% no número de acidentes em relação ao mesmo período de 1997″.
Já a Lei Seca, adotada dez anos depois, “foi responsável pela redução em 28,3% das internações hospitalares decorrentes de acidentes de trânsito, em 42% do tempo de internação e em 36% dos gastos hospitalares”.
O Brasil é um dos países com maior número de mortes no trânsito: de 1980 a 2011, quase um milhão de pessoas morreram por acidentes de trânsito no país.
2. O fator humano

Há quem sustente que o número elevado de mortes no trânsito se deve principalmente às más condições das estradas ou até à má qualidade dos veículos vendidos no Brasil. Se esses fatores podem contribuir, qualquer companhia de seguros sabe que o comportamento dos motoristas também conta. É por isso que a apólice para homens jovens é mais cara do que para as outras categorias.
Segundo levantamento do Conselho Federal de Medicina (CFM), a cada hora, em média, cerca de 20 pessoas dão entrada em um hospital da rede pública com ferimento grave decorrente de acidente de trânsito terrestre. Cerca de 60% dos casos nos últimos 10 anos envolveram vítimas com idade entre 15 e 39 anos. Quase 80% das vítimas são do sexo masculino.
As internações hospitalares decorrentes dos acidentes de trânsito consumiram cerca de R$ 2,9 bilhões do SUS na última década, em valores atualizados pela inflação. Em 2014, o Bom Dia Brasil noticiou que seis de cada 10 leitos de UTIs no país são ocupados por vítimas de acidentes de trânsito.
3. Acelerando na contramão

O governo Bolsonaro abriu mais uma batalha contra os radares e as leis de trânsito. No fim de março, o presidente já havia barrado a instalação de 8 000 radares nas rodovias federais. A juíza Diana Wanderlei, da 5ª Vara Federal Cível de Brasília, determinou que o governo federal se abstivesse de retirar os radares, e impôs a renovação, em caráter de emergência, dos contratos com as concessionárias.
Em outubro de 2018, durante o 2º turno, Bolsonaro afirmou que o objetivo de seu governo seria fazer “o Brasil semelhante àquele que tínhamos há 40, 50 anos atrás”. Vamos esperar que isso não inclua as leis de trânsito.
4. Reações na rede
Bolsonaro vai apresentar projeto de lei que aumenta validade da CNH de 5 para 10 anos. Além disso, o presidente também quer ampliar de 20 para 40 pontos o limite para perda da carteira. Uma mudança que beneficia motoristas profissionais e toda população cansada de pagar impostos. pic.twitter.com/jAxt8YxI2D
— Luciano Hang (@luciano_hang) June 3, 2019
Qual a explicação para essa fixação do Bolsonaro com questões de trânsito? Radar, carteira de habilitação, exame para renovação. Isso é alguma coisa realmente relevante no meio bolsonarista? Tem alguma justificativa pro PR se deslocar até o Congresso pra entregar um PL disso?
— Horacio Neiva (@horacioneiva) June 5, 2019
Inclusive saudades do famoso artigo se eu quiser me matar dirigindo sem cinto de segurança o Estado não tem o direito de interferir. Do Mises BR, um clássico.
— Tatiane (@Tatiweigert) June 5, 2019
pelo fim dos semáforos e que vença o mais rápido
— raul (@architectsofear) June 5, 2019
Leia também: O Presidente dos caminhoneiros
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