Em guerra por 2020
Como uma disputa pela prefeitura de São Paulo tem sido um obstáculo ao Governo Federal.
Há divergências a respeito do segredo do sucesso de Jair Bolsonaro em 2018. Para Rodrigo Maia, por exemplo, se Adélio Bispo não tivesse cometido o atentado, o presidente hoje seria outro. Para o próprio presidente, contudo, a vitória veio de uma pré-campanha bem antecipada.
“Eu comecei muito antes. Quando Alckmin acordou, eu já estava no outro lado do oceano, e ele não conseguiu alcançar este capitão da artilharia.” Jair BolsonaroEm breve comentário, O Antagonista observou que falta a Joice Hasselmann iniciativa semelhante. Se de fato quer a prefeitura de São Paulo, precisa evitar que o interesse atrapalhe o PSL.
Se ainda alimenta o desejo de sair candidata à Prefeitura de São Paulo no ano que vem, Joice Hasselmann não pode prosseguir como líder do governo no Congresso. São interesses difusos que interferem na relação com a bancada do PSL, em guerra pelo comando do diretório paulista – necessário à eleição do próximo ano. O AntagonistaOntem, parlamentares da sigla descumpriram parte do acordo que tinham feito pela derrubada de vetos. A briga interna ganhou a rua quando o senador Major Olímpio resolveu peitar a colega da Câmara Federal. O clima azedou.
– É melhor já ir “joiçando” A candidatura de Joice ganhou ares de confirmação quando Janaina Paschoal abriu mão da disputa. Perguntada sobre quem seria o nome do PSL na corrida pela prefeitura de São Paulo, respondeu de forma clara e direta.🥊Joice Hasselmann x Major Olimpio🥊 (via @carlos_munhoz) pic.twitter.com/Bxxu87hl4n
— Exilado (@exilado) June 5, 2019
Quem quer é a Joice. Janaina PaschoalJoice desautorizou Janaina. Mas a fala não negou por completo o interesse.
Apenas eu falo por mim. Não entreguei procuração a ninguém, a nenhum parlamentar, nem mesmo ao meu partido, para falar por mim sobre candidatura a qualquer coisa que seja. Joice Hasselmann– Guerra civil Enquanto o PSL paulista enfrenta uma guerra civil entre Eduardo Bolsonaro e Alexandre Frota pelo comando, o presidente nacional da sigla deixava claro o interesse na candidatura de Joice.
Bivar lança Joice para a prefeitura de São PauloA postura hesitante tem explicação: a deputada pensa grande. E teme que a articulação para a prefeitura tire-a da disputa pelo governo de São Paulo em 2022, quando João Doria deve disputar a Presidência da República.
Desconfiada do incentivo– Antenado Como explica a nota de Igor Gadelha para a Crusoé, Eduardo Bolsonaro tem interesse na filiação de José Luiz Datena. O “Zero Três” já surgiu nas manchetes como alguém que estaria se articulando por uma volta da UDN. No dia seguinte, negou. Mas a União Democrática Nacional segue aproveitando a crise no PSL para fazer-se ativa na eleição de 2020. Major Olímpio, que surgiu no vídeo mais acima gritando com Joice, também sondou Datena. O apresentador está no alvo de vários grupos. Garantiu que, se anunciar uma pré-candidatura, irá desta vez até o fim. E, no que pode ser entendido como um sinal positivo, desfiliou-se do DEM – que deve buscar a reeleição para o governo de São Paulo em 2022, quando Rodrigo Garcia já estiver sentado na cadeira de Doria. – Esquerda engatinhando Do outro lado, a articulação parece engatinhar. O PDT oficializou um convite para que Tabata Amaral se candidate. Lideranças chegaram a antecipar a resposta positiva. Mas a deputada federal negou com veemência.
Trata-se de veiculação mentirosa, portanto, as notícias que dizem o contrário. Seu trabalho tem como foco a renovação de seu partido no estado, não cogitando disputar o próximo pleito à Prefeitura de São Paulo. Tabata Amaral, em nota emitida pela assessoria de comunicaçãoLula, por intermédio de Gleisi Hoffmann, quer o PT apostando no candidato que, entre o primeiro turno de 2012 e o primeiro turno de 2016, perdeu 800 mil votos paulistanos.
Haddad cresceu muito como político. Do ponto de vista partidário é o melhor nome. Ele tem dito que não quer, mas não desistimos totalmente. Estou impressionada com a força dele nas universidades. Gleisi HoffmannMas, alinhado com a leitura de que a vitória de Bolsonaro veio do trabalho que Carlos Bolsonaro tocava nas redes sociais, Fernando Haddad tem preferido gerir um canal no YouTube. – De novo nas redes A Justiça Eleitoral entende o não cumprimento das cotas femininas e a proliferação de pesquisas eleitorais obscuras como problemas a serem enfrentados. E antevê que as redes sociais serão o meio mais explorado nas próximas eleições. Em debates internos, discute maneiras de se lidar com o tema sem ferir a liberdade de expressão. Renan Ramalho explicou as nuances em podcast exclusivo aos assinantes de O Antagonista+. – Prévia O resto do país, como era de se imaginar, também se prepara para as disputas municipais. Vale destaque ao interesse do PT em ter “o namorado de Fátima Bernardes” como vice em Recife, e do clã Bolsonaro em candidatar “o deputado que rasgou a placa de Marielle Franco” no Rio de Janeiro. Mas chamou atenção o que ocorreu em Iguaba Grande, litoral fluminense. Com a cassação da prefeita Grasiella Magalhães, novas eleições foram realizadas. Mesmo sendo um município em que Bolsonaro recebeu 72% dos votos em 2018, a chapa bolsonarista findou derrotada. Levando a crer que, mais uma vez, as disputas municipais reagirão menos a discursos ideológicos, e mais a necessidades locais.
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