Três ex-ministros
Como cada ministro foi demitido.
O general Santos Cruz, demitido nesta quinta (13), foi a terceira baixa no ministério Bolsonaro em menos de seis meses.
Entenda neste post como cada ministro foi demitido e como o ritmo do atual RH se compara com o de outros presidentes.
1. Gustavo Bebianno
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O então chefe da Secretaria-Geral da Presidência foi demitido em 18 de fevereiro, após uma arrastada crise. O vereador Carlos Bolsonaro reagiu mal a uma reportagem de O Globo. Ao jornal, Bebianno contou ter falado três vezes com o presidente durante a internação deste no Albert Einstein, negando ser fonte de instabilidade para o governo.
Em áudio publicado por Carlos, Jair Bolsonaro dizia a Bebianno que estava evitando conversar.
A campanha contradizia o comportamento do presidente, que fez ao menos três reuniões de trabalho ainda no hospital, duas delas com ministros: Tarcísio Gomes (Infraestrutura) e Ricardo Salles (Meio Ambiente).
Após a demissão, Jair Bolsonaro fez circular um vídeo no qual disse que “pode ter havido incompreensões e questões mal-entendidas de parte a parte, não sendo adequado pré-julgamento de qualquer natureza”, e afirmou “continuar acreditando na seriedade e qualidade” do trabalho de Bebianno.
Curiosamente, a mensagem nunca foi publicada nos canais oficiais do presidente nas redes.
Em entrevista à Jovem Pan logo depois da demissão, Bebianno disse que Carlos fez “uma macumba psicológica” na cabeça do pai durante sua internação no Einstein, semeando um clima de paranoia, cheio de inimigos. E foi taxativo: “eu fui demitido, Zé Maria, pelo Carlos Bolsonaro”.
Bebianno foi substituído pelo general Floriano Peixoto.
2. Vélez Rodríguez

Assim como Bebianno, o ministro da Educação Vélez Rodríguez foi fritado lenta e publicamente antes de sua demissão.
Vélez acumulou vários fiascos em sua breve gestão, incluindo pelo menos 15 exonerações de cargos importantes.
O trabalho sofreu várias reviravoltas. O ministro excluiu as crianças do 2º ano do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) e voltou atrás no dia seguinte.
Também pediu a todas as escolas do Brasil que gravassem um vídeo com os estudantes cantando o Hino Nacional e depois desistiu.
Em audiência na Comissão de Educação no fim de março, Vélez não soube responder a questionamentos simples da deputada federal Tabata Amaral (PDT-SP), que perguntou ao ministro onde encontrar seus projetos e metas. Ela disse que Vélez apresentou uma “lista de desejos”, que não pode ser chamada de ‘planejamento estratégico’.
Horas mais tarde, Eliane Cantanhêde disse na GloboNews que Bolsonaro tomara a decisão de demiti-lo “em horas ou dias”. Bolsonaro chamou o anúncio de “fake news” pouco depois.
Doze dias depois, em 8 de abril, Vélez foi finalmente demitido.
Foi substituído por Abraham Weintraub, o Gene Kelly da educação.
3. Santos Cruz

O general Santos Cruz foi demitido nesta quinta (13) da Secretaria de Governo.
Segundo O Antagonista apurou, o publicitário Fabio Wajngarten, que comanda a Secretaria de Comunicação desde abril, quer promover blogueiros e sites bolsonaristas, e Santos Cruz era contra. Esse embate ficou forte e somou-se a outras discordâncias.
Há um fato curioso sobre os poderes do ministro. O Decreto nº 9.794, publicado em 15 de maio, expandiu os poderes da Secretaria de Governo.
O texto conferiu à pasta poder de veto sobre as indicações para cargos elevados, inclusive reitores de universidades federais e funções no exterior, como embaixadores.
Mas um detalhe: o texto do decreto estabelece que ele só entra em vigor em 25 de junho.
Ou seja, Santos Cruz nunca chegará a experimentar esses poderes.
O general Gilberto Pimentel, ex-presidente do Clube Militar, elogiou Santos Cruz e disse ser “praticamente impossível para um verdadeiro militar conviver por muito tempo nesse meio torpe, podre, corrompido pela própria natureza”.
Santos Cruz foi substituído por outro militar, o general Luiz Eduardo Pereira.
4. Comparando os primeiros 163 dias
Até 13 de junho de 2011, Dilma havia demitido apenas um ministro, Antonio Palocci. Dois foram trocados de lugar (Ideli Salvatti e Luiz Sérgio trocaram Relações Institucionais e Pesca).
De 1º de janeiro a 13 de junho de 2015, Dilma perdeu cinco ministros: Marcelo Neri, Cid Gomes, Thomas Traumann (este pediu demissão), Vinicius Lages e Ideli Salvatti.
De 12 de maio a 22 de outubro de 2016, Temer perdeu também três ministros: Romero Jucá (Planejamento), Fábio Medina Osório (AGU) e Fabiano Silveira (Transparência). Jucá e Silveira pediram demissão.
5. Bônus: e o Marcelo lá

Em tempo: Marcelo Álvaro Antônio ainda é ministro do Turismo.
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