Na sexta-feira, O Comentarista dedicou uma edição à “fórmula mágica” de Jair Bolsonaro, uma medida econômica que traria mais benefícios do que a reforma da Previdência – mas, por enquanto, apenas torna mais difícil a aprovação desta.
Não foi a primeira vez em que o presidente da República esqueceu um dos motes da campanha, abrindo mão do “Posto Ipiranga” como guia econômico. Em verdade, a gestão completará cinco meses de trabalho com Paulo Guedes se acostumando a dribles do chefe.
– Bola nas costas
O governo estava no quarto dia de atividade quando Bolsonaro anunciou que aumentaria o IOF para compensar incentivos fiscais estendidos ao Norte e Nordeste. No mesmo dia, Marcos Cintra o desmentiu.
Na primeira quinzena de maio, o assunto voltou às manchetes, com Bolsonaro sugerindo a Guedes uma atualização inflacionária da tabela do imposto de renda.
O Ministério da Economia mais uma vez se sentiu atropelado.
Semanas antes, quando da participação na Agrishow, Bolsonaro pediu ao presidente do Banco do Brasil uma redução nos juros de empréstimos a produtores rurais.
Era uma piada. Mas o mercado financeiro levou a sério, com ações da estatal chegando a cair 1,5% de imediato.
– Telefonemas e recuos
Um dos movimentos mais bruscos de Bolsonaro se deu quando, com um telefonema de 20 minutos, interferiu na política de preços da Petrobras. A intervenção desastrosa lembrou os piores momentos de Dilma Rousseff. Mas não foi a única do tipo.
Com outro telefonema, o presidente mandou suspender o contingenciamento que atingia o MEC e servia para alimentar protestos da oposição. Foi quando os auxiliares palacianos tiveram que trabalhar o recuo do recuo.
Mesmo ao compartilhar no WhatsApp um texto confuso de um “autor desconhecido”, Bolsonaro colocou um pé no campo de atuação de Guedes. O Antagonista estranhou o desfecho e achou por bem perguntar.
– Reforma da Previdência
Mas nenhum tema parece sofrer tanto na mão de Bolsonaro como a reforma da Previdência. Antes mesmo da posse, o presidente eleito defendia uma reforma mais branda, que apenas postergasse o problema ao mandato seguinte. Após críticas, passou a pregar um trabalho em etapas.
No terceiro dia de mandato, estabeleceu sozinho uma idade mínima e diferenciada para a aposentadoria de homens e mulheres. Meses depois, quando Rodrigo Maia se dispôs a lutar pela aprovação, findou atacado por militantes virtuais e viu o próprio presidente da República demonizar a articulação política que o presidente da Câmara se dispunha a fazer.
Mais recentemente, Bolsonaro não esconde o desconforto com a capitalização da reforma. E, por mais que Guedes fale em economia trilionária, o presidente deixou claro à imprensa que o ministro topa abrir mão de até R$ 300 milhões.
– Agressividade passiva
Por tudo isso, o presidente da Comissão Especial chegou à conclusão de que Bolsonaro seria contra a reforma da Previdência.
Mantendo a postura assumida ainda em março, Guedes repetiu em maio que, se a reforma da Previdência não for bem sucedida, deixará não só o governo, mas também o país.
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