PT sempre apoiou ditadura na Venezuela
Em favor da ditadura na Venezuela, o PT não faz questão nem da democracia nem da paz.
Na festa dos sindicatos no Vale do Anhangabaú, Fernando Haddad declarou-se contra uma intervenção militar na Venezuela.
“A esquerda democrática nunca abriu mão da paz como princípio”, disse. É uma declaração curiosa. Haddad, ativo no Twitter, não comentou o episódio em que um blindado foi usado para atropelar civis nesta terça (30), nem o fato de que 25 militares venezuelanos pró-Guaidó pediram asilo na embaixada brasileira em Caracas.
Na verdade, em favor da ditadura na Venezuela, o PT não faz questão nem da democracia nem da paz. E Haddad faz parte dessa história.
– Amizade antiga

Em 1989, Fidel Castro visitou Lula em São Paulo. Foi o ano em que caiu o Muro de Berlim e Lula perdeu a eleição para Collor. No ano seguinte, é fundado o Foro de São Paulo, agremiação dos partidos de esquerda da América Latina.
Hugo Chávez chegou ao poder em 1999, sendo o primeiro integrante do Foro de São Paulo a fazê-lo. Com a eleição de Lula em 2002, os dois países se aproximaram rapidamente.

Na verdade, a própria manutenção de Chávez no poder teve apoio do Foro, que foi fundamental para a realização de um referendo em 2004 que o confirmou na presidência. Quem contou isso foi o próprio Lula, em 2005. Tudo discutido entre companheiros, “sem que parecesse e sem que as pessoas entendessem qualquer interferência política”, assim passando por cima de qualquer compromisso constitucional com a não-interferência na política de outros países:
– Contando tudo
Em 2013, numa reunião do Foro de São Paulo, Lula deu mais detalhes sobre as estratégias da esquerda na América Latina.
O vídeo abaixo contém duas declarações especialmente importantes.
A primeira é o papel da liderança cubana. Conta Lula: “quero (…) debitar parte da chegada da esquerda ao poder na América Latina pela existência dessa ‘cosita’ chamada Foro de São Paulo (…) e devemos muito aos companheiros cubanos”. Cuba teria insistido para que os diferentes partidos de esquerda se mantivessem unidos apesar de seus conflitos internos.
Em segundo, Lula conta como o grande aprendizado da esquerda latina foi entender as eleições como meio de chegada ao poder. Antes, pensavam que chegariam lá apenas pela violência. Ressalte-se: as eleições são apenas uma ferramenta. Em nenhum momento o Foro ou seus integrantes consideram que a democracia é um fim em si mesmo.
– Apagando rastros
Em outubro de 2018, durante o 2º turno, o PT tirou de seu site oficial três links com notas em apoio a Maduro. Não enganou ninguém.
– Haddad é só mais um
O ex-poste de Lula nunca fez críticas sérias a Maduro. Durante o 2º turno, se recusou a responder se a Venezuela é uma ditadura.
Quando Gleisi foi à posse de Maduro, em janeiro deste ano, Haddad criticou o fato de não ter sido consultado e a forma como a visita foi comunicada. Ou seja, ele não criticou a visita de Gleisi em si ou a ditadura venezuelana.
Dias depois, Haddad disse em entrevista que “o ambiente na Venezuela hoje não é democrático”. Algo como dizer que a ditadura está no ar ou na água, e não no governo.
Não há nada a se esperar do partido que foi à posse de Nicolás Maduro e boicotou a de Bolsonaro.
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