Como sabemos que o triplex é de Lula
Nada pode apagar as abundantes provas de que o triplex era de Lula.

Advogados, ativistas e até alguns togados podem apelar ao jus sperneandi, mas nada pode apagar as abundantes provas de que o triplex era de Lula.
Relembre aqui as principais.
1. A (não) escolha de Marisa

Em ação ajuizada por advogados de Dona Marisa em julho de 2016, está escrito que “a Autora adquiriu (em 2005) uma cota-parte para a implantação do empreendimento então denominado Mar Cantábrico”.
A Bancoop, responsável pelo empreendimento na época, teria reservado ao casal presidencial o apartamento 141, uma unidade padrão, com três dormitórios (um com banheiro) e área de 82,5 metros quadrados.
A obra não andava. Em 2009, o empreendimento foi incorporado pela OAS. Naquele momento, os cooperados poderiam escolher entre duas opções: (1) receber o dinheiro de volta, ou (2) adquirir uma unidade no futuro prédio, abatendo do preço o valor já pago à Bancoop.
Dona Marisa não se manifestou por nenhuma das opções. E quem escreveu isso foram seus próprios advogados:

Em depoimento a Moro, Lula também disse não ter escolhido entre as opções.
A segunda opção (adquirir uma unidade) implicaria novos pagamentos, já que o prédio estava inacabado.
Em carta da Bancoop à OAS datada de 2011 e integrada ao processo que condenou Lula, a cooperativa pede informações sobre a situação de cooperados que ainda não haviam assinado os termos de restituição. No caso do Mar Cantábrico (hoje Solaris), há referência a dois nomes de cooperados que não teriam assinado o termo. Entre eles, não estão Lula e Dona Marisa.
Na sentença, Moro escreveu que a OAS nunca tomou “qualquer iniciativa para retomar a cobrança das parcelas pendentes”.
Isso porque “a situação deles já estava, de fato, consolidada, com à (sic) atribuição a eles do apartamento 174-A, que tornou-se posteriormente o apartamento 164-A, triplex”.
Isso explica também “o fato do imóvel constar como ‘reservado’ na documentação interna da OAS Empreendimentos ou jamais ter sido oferecido ao público para venda”.
Portanto, o apartamento declarado de 82,5 metros quadrados se transformou em um triplex reformado sem qualquer pagamento extra.
2. As reportagens de 2010
Em março de 2010, O Globo publicou a reportagem Caso Bancoop: triplex do casal Lula está atrasado, assinada por Tatiana Farah. O texto foi mencionado por Léo Pinheiro em depoimento a Moro, citado na sentença.
A reportagem, atualizada em 2011, informa que “[o] presidente Luiz Inácio Lula da Silva e sua mulher, Marisa Letícia, são donos de uma cobertura na praia das Astúrias, no Guarujá”. E mais: “Procurada, a Presidência confirmou que Lula continua proprietário do imóvel (…) É nele que a família Lula da Silva deverá ocupar a cobertura triplex, com vista para o mar”.
No dia seguinte à publicação da reportagem em O Globo, o Jornal Nacional levou ao ar a notícia Bancoop não entrega nem o triplex de Lula.
William Bonner diz claramente no vídeo: “Um apartamento triplex do presidente Lula está entre as obras não entregues pela Bancoop”.
3. A visita de Lula e Léo Pinheiro

Em março de 2016, o Jornal Nacional levou o ar fotos de Lula no Edifício Solaris. Ele aparece vistoriando o apartamento 164-A ao lado de Léo Pinheiro e Roberto Moreira, ambos da OAS.
O encontro foi em fevereiro de 2014. Dona Marisa também compareceu.
A esposa de Lula visitaria o apartamento em uma segunda oportunidade, em agosto de 2014, ao lado do filho Fábio Luis Lula da Silva. Na versão de Lula, eles desistiram de “adquirir” o imóvel – curiosamente, poucos meses depois de começar a Lava Jato.
4. O triplex não foi posto à venda

Na primeira sentença que condenou Lula, Moro escreveu que “[h]á prova documental de que a OAS Empreendimentos vendeu o apartamento 131-A, antigo 141-A, indicado no contrato de aquisição de direitos subscrito por Marisa Letícia Lula da Silva, e que manteve reservada, sem por a venda o apartamento triplex desde que assumiu o empreendimento em 08/10/2009”.
Não faria sentido uma empresa não pôr à venda um apartamento sem dono.
Foi exatamente o que aconteceu: a “unidade padrão” originalmente adquirida por Lula e Marisa foi posta à venda. O triplex não.
5. A rasura

Ao inquérito que investiga o tríplex, a Polícia Federal anexou um laudo pericial que aponta alteração em um documento em nome de Dona Marisa. No campo ‘apartamento/casa’, sobre o número 174 foi escrito 141.
Na sentença, Moro conta que houve a supressão da numeração de um andar quando o prédio passou da Bancoop para a OAS. Assim, apartamentos como 141-A e 174-A passaram a ser identificados como 131-A e 164-A.
O triplex 164-A (visitado por Lula), portanto, era originalmente 174. Sobre esse número foi escrito 141 (que viraria apartamento 131-A e foi vendido pela OAS).
6. O depoimento do zelador

José Afonso Pinheiro foi zelador do Condomínio Solaris entre 2013 e 2016. Ele contou ao MPF: “Sim, todos sabiam lá que o apartamento pertencia ao ex-presidente Lula, inclusive até os condôminos sabiam também que era dele o apartamento, sempre houve esse comentário lá”.
Mais do que isso: “Inclusive tinham corretores que faziam as vendas de apartamentos no Condomínio Solaris, exatamente pessoas compravam porque achavam que o ex-presidente tinha um apartamento lá, os corretores mesmo faziam a propaganda do apartamento”.
Em 2016, ele se candidatou a vereador em Santos, com o nome Afonso Zelador do Triplex. Não se elegeu. Dois anos depois, relatou receber mensagens de ódio e ameaças pelas redes sociais.
7. Os ‘centros de custos’

Entre as mensagens de 2014 trocadas entre Léo Pinheiro e um interlocutor não-identificado, citadas na sentença, estão as seguintes:
Léo Pinheiro: “Ok. Vamos começar qdo. Vamos abrir 2 centro de custos: 1º zeca pagodinho (sítio) 2º zeca pagodinho (Praia)”
Interlocutor: “Dr. Léo o Fernando Bittar aprovou junto a Dama os projetos tanto de Guarujá
como do sítio. Só a cozinha Kitchens completa pediram 149 mil ainda sem negociação. Posso começar na semana que vem. E isto mesmo?”
Léo Pinheiro confirmou o óbvio: ‘Zeca Pagodinho’ era Lula. As mensagens também comprovam que as obras no triplex do Guarujá e no sítio em Atibaia estão relacionadas.
Como diz o cantor:
Se a coisa não sai do jeito que eu quero
Também não me desespero
O negócio é deixar rolar
E aos trancos e barrancos, lá vou eu!
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