A censura a Crusoé e o “Efeito Streisand”
O interesse por 'Crusoé' subiu rapidamente quando a revista recebeu notificação ordenando que a reportagem fosse retirada do ar.
Chama-se Efeito Streisand o fenômeno pelo qual a tentativa de censurar uma informação tem por consequência torná-la ainda mais conhecida. O termo foi cunhado em 2005 após a cantora americana Barbra Streisand processar por violação de privacidade um fotógrafo que publicou uma imagem de sua mansão. A foto, que quase ninguém tinha visto, foi acessada por mais de 400 000 pessoas depois do processo.
Efeito Crusoé
O Efeito Streisand pode ficar conhecido no Brasil como Efeito Crusoé. O Google Trends ajuda a explicar o porquê. Ela mostra o interesse dos usuários da ferramenta de busca por determinados termos ao longo do tempo.

Como mostra o gráfico acima, o interesse no Brasil pelos termos Crusoé e censura começa a subir rapidamente no dia 15 de abril, quando a revista recebeu notificação ordenando que a reportagem “O amigo do amigo de meu pai” fosse retirada do ar. As duas palavras exibem curvas parecidas e atingem um pico na terça, 16. Por vários dias, continuam sendo mais buscadas do que antes.
O interesse do brasileiro pelos principais personagens do episódio também subiu. O gráfico abaixo mostra que as buscas por Dias Toffoli e Alexandre de Moraes dispararam. Parece que o tiro saiu pela culatra.

Na própria Crusoé, Leandro Narloch assinou uma coluna em que aborda o tema. E confessa que só leu a reportagem no que Alexandre de Moraes censura a revista.
Correu no WhatsApp
A ironia não escapou ao Twitter. Dário Júnior, doutor em direito processual, comentou que a censura a Crusoé já tinha chegado a vários grupos fechados do WhatsApp.
Toffoli vai se arrepender dessa atitude. Muita gente nem conhecia a revista Crusoé. Agora a coisa perdeu o controle. O print já tá rolando no zap zap. Já chegou no grupo das varoas, no grupo da pelada, no grupo da família, no grupo de pais e mestres, no grupo da putaria. Já era.
— dário júnior (@dariojjunior) April 15, 2019
Marcel van Hattem, deputado federal (NOVO-RS), contou ter recebido cópias da reportagem em vários grupos.
Depois da censura do STF, recebi o PDF da reportagem da Crusoé sobre Toffoli e a Odebrecht no mínimo TRINTA vezes no Whats. No mínimo! E todas de pessoas diferentes ou em grupos diferentes. A história só se espalhou mais…
— Marcel van Hattem (@marcelvanhattem) April 16, 2019
Em tempo
A reportagem “O amigo do amigo de meu pai” está agora aberta também ao público não-assinante de Crusoé.
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