Wilson Pedroso na Crusoé: Padroeira vira munição de campanha
Ninguém sai ileso na guerra de fake news religiosas
Às vésperas do primeiro turno, a eleição de 2026 arranjou um novo campo de briga: Nossa Senhora Aparecida. E o caso mostra bem mais do que fake news solta por aí. Mostra os dois lados usando símbolo religioso como arma, ao mesmo tempo.
Tudo começou na noite de quinta, 24 de setembro. Espalhou-se a informação de que Flávio Bolsonaro estaria por trás de um plano para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) André Mendonça chamou isso de inverídico e mandou a plataforma remover um post associando o candidato a essa história.
Flávio negou. Disse que a equipe jurídica já tinha acionado a Justiça eleitoral e saiu correndo atrás do prejuízo.
Até aqui, checagem de fato resolveria. Não resolveu, porque o boato já tinha feito o trabalho dele: ocupar espaço na campanha bem na reta final, quando cada dia vale ouro.
E é aí que a história para de ser só sobre mentira. Segundo análise da jornalista Maria Cristina Fernandes, na GloboNews, existiria um movimento dentro da Igreja Católica de reação a uma parcela de evangélicos que estaria articulando projeto para tirar Aparecida da condição de padroeira.
Essa reação, na avaliação dela, teria potencial de render voto entre católicos e favorecer Lula.
O presidente não deixou passar. Alckmin também não. O vice publicou vídeo dizendo que recebeu mensagem de católico preocupado com o episódio. Lula reforçou publicamente a relação dele com a fé. Ou seja: o boato que prejudicava Flávio virou, no mesmo instante, gancho de campanha para o adversário.
Flávio reagiu do jeito que nenhum marqueteiro recomendaria a uma semana da urna: acusou a Conferência Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) de ajudar o PT a espalhar a informação falsa, em discurso em Goiânia.
A entidade negou…
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