Wilson Pedroso na Crusoé: O Judiciário aprendeu o significado da palavra compaixão?
Quem ocupa papel de protagonismo por tanto tempo sabe que seus próximos passos serão observados com atenção redobrada, inclusive quando decide adotar um tom mais conciliador
Talvez não exista pacote nenhum. Talvez cada decisão tenha fundamento jurídico, requisito cumprido, parecer favorável.
Ninguém está dizendo que ministro saiu distribuindo habeas corpus sem critério.
Mas também não dá para fingir que o ambiente não mudou.
A urna fechou. O Senado ficou mais duro. E o Judiciário, depois de anos de postura mais dura, passou a tratar alguns casos com mais cautela. Coincidência? Pode ser. Mas chama a atenção.
Peguem, leitores, o caso da Débora do Batom. Condenada a catorze anos. Moraes reconheceu o direito ao semiaberto. Tinha requisito? Tinha. A Procuradoria-Geral da República (PGR) concordou? Concordou. A lei funcionou. Só é curioso ver a proporcionalidade aparecer tão clara justamente agora.
Marcos do Val, Allan dos Santos e Oswaldo Eustáquio: investigação arquivada. Anos de apuração, restrição, manchete toda semana. No fim, faltou prova para denunciar. Fica a pergunta: se faltou prova no final, o que justificou tanto desgaste no caminho?
Flávio estava impedido de visitar o pai. A defesa pediu para voltar. Moraes ouviu a PGR. Resposta favorável. No mesmo período, Gilmar arquivava o caso de Alfredo Gaspar, vice na chapa de Flávio. O timing chama atenção.
Sim, algumas dessas decisões são anteriores à eleição. A de Débora é. O arquivamento de Alfredo Gaspar também. Então cai a ideia de que alguém saiu assinando tudo de uma vez no domingo à noite. Isso não aconteceu.
Só que isso não apaga o que importa: foi agora, neste momento do calendário político, que essas decisões passaram a ser lidas como sinal. Não é sobre quando o processo começou. É sobre o que o resultado comunica para quem observa de fora.
Esse é o desafio de quem passa anos no centro da disputa. Quando prende e restringe, isso é lido como posicionamento. Quando arquiva e libera, também é.
Fica difícil escapar dessa leitura depois de tanto protagonismo.
Há quem veja isso como amadurecimento institucional…
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