Wilson Pedroso na Crusoé: Flávio tem a senha; Michelle tem conexão
Quando crise familiar vai para as redes, vira narrativa. E, em campanha presidencial, isso pode custar caro
A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg trouxe um recado importante para o bolsonarismo.
Não porque tenha acabado com Flávio Bolsonaro, nem porque tenha transformado Michelle Bolsonaro em candidata natural da direita.
O levantamento mostra algo mais difícil de administrar: a base ainda reconhece Flávio como o nome autorizado para 2026, mas percebeu que a exposição pública da crise deixou marca.
Esse é o ponto central. A disputa entre Michelle e Flávio não deve ser lida apenas como briga familiar ou episódio de rede social. Ela revelou uma tensão maior dentro do bolsonarismo: a diferença entre ter o comando político da candidatura e ter a força emocional da base.
Entre os eleitores de Jair Bolsonaro, Flávio aparece com 81,9% como o preferido para ser o candidato da direita em 2026. Michelle fica com 14,7%. O placar é amplo e mostra que, dentro do núcleo mais fiel, Flávio ainda é visto como o herdeiro político mais direto do ex-presidente.
No bolsonarismo, isso pesa. A bênção de Bolsonaro, o sobrenome e a ideia de continuidade valem muito. O eleitor mais fiel não está escolhendo apenas quem gosta mais. Está tentando preservar uma ordem política. E, nessa ordem, Flávio aparece como o nome com a senha para representar esse campo.
Mas eleição presidencial não se resolve apenas com autorização. Candidatura é uma coisa. Campanha é outra. E foi justamente aí que a crise cobrou a conta.
A mesma pesquisa mostra que 64,1% avaliam que a exposição pública do desentendimento enfraquece a candidatura de Flávio.
Esse dado talvez seja tão importante quanto a preferência interna. A base pode aceitar Flávio como candidato, mas…
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