Weverton pede a Alcolumbre apuração de vazamento após piscinão de Brasília
Foto encontrada no celular do senador mostra o parlamentar ao lado de outros políticos em uma piscina em propriedade de advogado
O líder do PDT no Senado, Weverton Rocha (MA), pediu ao presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que a Mesa Diretora da Casa adote providências por causa de “vazamento seletivo à imprensa“ de conteúdo extraído de seu celular funcional – que foi apreendido pela Polícia Federal (PF) no âmbito da Operação Sem Desconto.
Weverton enviou o ofício a Alcolumbre no sábado, 8, após a publicação da foto que mostra o parlamentar ao lado de outros políticos em uma piscina no Rancho Tomaz, propriedade do advogado Willer Tomaz, em Planaltina (DF).
A imagem foi encontrada pela PF no celular do senador. Além do pedetista, aparecem na fotografia Arthur Lira (PP), então presidente da Câmara, Alexandre Ramagem (PL), ex-deputado e ex-diretor da Abin, Juscelino Filho (PSDB), Elmar Nascimento (União Brasil) e Paulo Azi (União Brasil). O senador Efraim Filho (PL-PB) também foi identificado.
Segundo informações obtidas pela revista Piauí junto à polícia, o encontro foi organizado por meio de um grupo de WhatsApp chamado “Grupo Seleto”, que reunia parte dos políticos.
A fotografia faz parte do material analisado pela PF na investigação envolvendo Willer Tomaz, que foi alvo de buscas na última fase da Operação Sem Desconto, que apura fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A imagem, porém, não foi mencionada na decisão judicial que autorizou as buscas. Os investigadores apuram possíveis vínculos financeiros entre o advogado e pessoas ligadas a Weverton.
No ofício de sábado, Weverton pede que Alcolumbre determine à Advocacia do Senado que peça ao Supremo Tribunal Federal (STF), à Procuradoria-Geral da República (PGR) e à Corregedoria-Geral da Polícia Federal “a apuração rigorosa da origem dos vazamentos de conteúdo extraído de aparelho celular apreendido, sob segredo de justiça, e a responsabilização dos agentes que lhes deram causa“.
Além disso, o pedetista solicita que seja:
- Solicitada a preservação das provas pertinentes (registros de acesso, extração, cópia e compartilhamento do material, inclusive por aplicativos de mensagens e junto a assessorias de comunicação);
- Encaminhado requerimento de informações ao Ministério da Justiça e Segurança Pública sobre as medidas adotadas para apurar e coibir os vazamentos, e dos responsáveis pela custódia e pela comunicação social relativa às diligências;
- Solicitada às autoridades a observância estrita do segredo de justiça e a adoção de medidas que impeçam a continuidade das divulgações; e
- Dada ciência à comissão competente e à Corregedoria/Ouvidoria do Senado, em defesa das prerrogativas parlamentares e da intimidade dos membros desta Casa expostos indevidamente, e aos parlamentares atingidos, para as medidas que reputarem cabíveis.
“Aparelho celular de titularidade do requerente foi apreendido em 17 de dezembro de 2025, no âmbito da denominada Operação Sem Desconto, e submetido a segredo de justiça. Desde então, o aparelho tem sido objeto de verdadeira devassa, da qual resultam sucessivos vazamentos, à imprensa, de mensagens, fotografias e dados de caráter estritamente pessoal, muitos deles sem qualquer relação com o objeto da investigação e envolvendo terceiros a ela estranhos”, afirma Weverton, na justificativa do ofício.
O senador cita, para ilustrar, a reportagem sobre a foto do piscinão de Brasília.
“A gravidade é dupla. No plano individual, a divulgação de material íntimo protegido por segredo de justiça viola a intimidade e a vida privada, o sigilo dos autos e a presunção de inocência, podendo configurar, em tese, o crime de violação de sigilo funcional”, pontua.
“No plano institucional, o vazamento seletivo de imagens e de tratativas envolvendo membros do Congresso atinge o próprio Parlamento: expõe indevidamente parlamentares não investigados, presta-se ao constrangimento e sugere instrumentalização político-seletiva de material sigiloso”.
Ainda nas palavras do senador, “a seletividade com que os elementos são liberados, sempre de modo a maximizar a repercussão, não raro antes de qualquer contraditório, demonstra não se tratar de mero incidente, mas de prática que compromete a lisura da investigação e a dignidade das instituições”.
Weverton conclui afirmando que a defesa da intimidade dos parlamentares e da higidez do segredo de justiça é também defesa da independência e do decoro do Legislativo, competindo ao Senado atuar em sua proteção.
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