Vorcaro volta a negociar acordo de delação premiada com a PF
O ministro André Mendonça, do STF, recebeu um ofício da PF confirmando que os agentes reabriram um canal de negociação com o banqueiro.
O banqueiro Daniel Vorcaro voltou a negociar, nesta semana, um acordo de delação premiada com integrantes da Polícia Federal (PF). A retomada das tratativas ocorre uma semana após a PF rejeitar uma primeira proposta de colaboração.
A informação foi revelada pela Folha de S. Paulo e confirmada por O Antagonista.
Nesta semana, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), e relator das investigações que miram o Master na Corte, recebeu um ofício da PF confirmando que os agentes reabriram um canal de negociação com Vorcaro.
O Antagonista apurou que essa nova investida partiu da defesa de Vorcaro. O banqueiro já teria se comprometido a, por exemplo, aumentar o valor de recursos a serem devolvidos aos cofres públicos. Na primeira proposta, era algo em torno de 40 bilhões de reais; agora, fala-se em 60 bilhões.
As negociações foram retomadas após o banqueiro se comprometer a entregar novos nomes e, de fato, colaborar com as investigações. A primeira proposta foi rejeitada porque os policiais entenderam que as informações prestadas por Vorcaro pouco colaborariam nos inquéritos que estão em curso.
Conforme apurou O Antagonista, integrantes da Polícia Federal avaliaram que o material apresentado por Vorcaro na primeira proposta era frágil e boa parte da proposta da delação já foi alvo de análise direta dos integrantes do órgão.
Além disso, integrantes da PF que acompanham o caso avaliam que Vorcaro errou ao tentar fazer uma espécie de ‘delação seletiva’. Nas tratativas iniciais, por exemplo, o banqueiro não falou, por exemplo, sobre pagamentos para o filme “Dark Horse”, por meio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou sobre o custeio da mesada ao presidente do PP, senador Ciro Nogueira.
Preso preventivamente desde 4 de março de 2026 no âmbito da Operação Compliance Zero, Vorcaro foi retirado em 18 de maio da acomodação especial na Superintendência da PF Brasília e passou a ocupar uma cela destinada a presos em trânsito na mesma unidade. Depois, Vorcaro foi transferido para a Papuda.
A Operação Compliance Zero, que motivou a prisão, apura suspeitas de fraudes financeiras, lavagem de dinheiro e pagamento de vantagens indevidas envolvendo o Banco Master. Vorcaro foi levado para a capital federal dois dias após a segunda prisão preventiva, em 6 de março, e permanece sob custódia da PF desde então.
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