Vorcaro vai abrir o bico, mas deve poupar o STF
Banqueiro sinalizou que deve entregar políticos do Centrão, o que pode comprometer União Brasil e PP
O banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, decidiu assinar sua delação premiada. A troca de advogado (Pierpaolo Bottini foi substituído por José Luis Oliveira Lima) foi apenas o primeiro passo.
Agora, isso não significa necessariamente que Vorcaro vá entregar tudo o que sabe. A ideia da defesa do banqueiro é mirar em políticos, principalmente os do Centrão. Nomes começaram a ser ventilados. A proposta de delação deve se ater, principalmente, a integrantes do PP e do União Brasil.
A expectativa é que as tratativas de uma delação sejam negociadas com a Procuradoria-Geral da República (PGR), não com a Polícia Federal (PF), conforme apurou O Antagonista. Assim, Vorcaro acredita que terá condições de obter um acordo para ele mais vantajoso, sem necessariamente entregar tudo o que sabe.
O Antagonista apurou que Vorcaro já deixou claro que tem dois medos: ficar preso por muito tempo e… ficar pobre. Ou seja, um acordo, para ele, vai colocar esses dois pontos na mesa de negociação.
Disputa entre PGR e PF pela delação de Vorcaro
Essa possibilidade de acordo com a PGR, no entanto, desagrada a Polícia Federal. A PF queria obter mais informações sobre as tratativas de Vorcaro com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. Não custa lembrar, o escritório da esposa de Moraes, Viviane Barci de Moraes, assinou um contrato de R$ 129 milhões com o Master para defender interesses do banco. Até hoje, apesar das notas de esclarecimento do escritório, ainda pairam dúvidas sobre a totalidade dos serviços prestados.
Outra história ainda mal contada diz respeito às transações da Maridt S.A. com fundos ligados ao conglomerado de Vorcaro. Para policiais federais ouvidos por O Antagonista, são pouco críveis as justificativas dadas por Toffoli sobre os valores captados pela Maridt em relação ao Resort Tayayá.
Uma solução menos traumática no caso Master
Apesar do descontentamento de policiais federais, pessoas que acompanham de perto das tratativas apontam essa solução como a menos traumática em relação à crise do Banco Master. Caso Vorcaro entregue de fato alguns caciques do Centrão, abre-se margem para afastar o Supremo da crise e evitar o agravamento dela.
Outro ponto importante: conforme revelou a CNN Brasil, nem Paulo Gonet, nem a defesa de Vorcaro são a favor de citar ministros do Supremo em uma delação. Gonet é próximo dos ministros envolvidos e nenhum advogado com trânsito no Supremo estaria disposto a comprometer seu futuro profissional ao tentar enquadrar integrantes da Corte.
Em resumo: a delação de Vorcaro não será o fim do mundo.
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Comentários (4)
Edmilson Siqueira
16.03.2026 17:50E inacreditável que um sistema de justiça aceite uma delação premiada que, de cara, vai poupar alguns bandidos e se centrar em outros para obter vantagens. Vorcaro não merece a mínima chance, é um escroque que aplicou o maior golpe da história do Brasil. Deveriam impor que ele ou entrega todo mundo ou morre na cadeia.
Juarez Borges
16.03.2026 17:04Um absurdo se isso acontecer...
Annie
16.03.2026 14:08Então não deve ser aceita
Marian
16.03.2026 13:35Delação seletiva? Ora, é cada uma