“Vorcaro tinha informantes em todas as instituições públicas”, diz Damares
Documentos sigilosos sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro são analisados por parlamentares em sala-cofre da CPMI no Senado
A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, mantinha rede de informantes espalhada por diferentes instituições públicas e privadas do país. A declaração foi feita após a parlamentar passar o domingo, 15, analisando documentos sigilosos da investigação em uma sala-cofre instalada no Senado para consulta restrita de dados da CPMI do INSS.
Ao comentar as informações preliminares obtidas durante a análise do material sigiloso, Damares afirmou que os documentos indicam a existência de uma rede de contatos ligada ao banqueiro em diferentes setores.
“O Vorcaro tinha informantes em todas as instituições públicas e privadas. Dentro do sistema financeiro, ele tinha amigos e inimigos. E a gente precisa identificar essa rede que colaborou para essa grande fraude praticada pelo Banco Master”, declarou.
Segundo a senadora, o material acessado pelos parlamentares inclui documentos resultantes da quebra de sigilo do empresário, além de imagens e registros financeiros ligados às investigações conduzidas pela comissão. “Passei o dia na sala-cofre lendo os documentos da quebra do sigilo do Vorcaro, o dono do Banco Master, eu, assessores de outros parlamentares e técnicos da CPMI”, afirmou.
A parlamentar disse ainda que o volume de informações é elevado e defendeu a ampliação do prazo de funcionamento da comissão ou a criação de uma nova investigação parlamentar focada no banco. “Nós precisamos prorrogar a CPMI do INSS. Até o dia 28 de março nós não vamos dar conta de ler os milhares e milhares de documentos que estão na sala-cofre”, disse.
A senadora também sugeriu que o Congresso avalie a instalação de uma nova comissão dedicada exclusivamente ao caso. “Ou a gente prorroga a CPMI do INSS ou imediatamente instala uma CPI ou uma CPMI do Banco Master”, afirmou.
Rede de contatos
Uma das linhas de trabalho adotadas durante a análise dos documentos, segundo Damares, envolve o levantamento do patrimônio associado ao empresário. “Trabalhei com a minha assessora numa linha de investigação que é o mapeamento de todos os bens dele. Por exemplo, todas as obras de arte. Identificamos algumas galerias no Brasil e fora do Brasil com as quais ele fazia contato”, afirmou.
Ela também disse que o rastreamento de bens pode ser relevante para eventual recuperação de valores ligados às investigações. “Eles causaram um rombo absurdo no BRB e nós precisamos identificar nem que seja um reloginho deles. Temos que buscar tudo para cobrir o rombo que eles fizeram no nosso BRB e também nos investidores do Brasil”, afirmou.
Sala-cofre no Senado
O espaço conta com sete computadores disponíveis para uso exclusivo de parlamentares integrantes da comissão ou de assessores previamente indicados por eles. A medida foi adotada para permitir o exame de informações sensíveis reunidas no âmbito das investigações, preservando o sigilo dos dados e reduzindo o risco de vazamentos. Nesse tipo de estrutura, os arquivos não podem ser copiados ou retirados do ambiente, sendo consultados apenas nos equipamentos disponibilizados no local. O acesso à sala-cofre segue um protocolo específico de segurança: a entrada no espaço acontece, obrigatoriamente, sem equipamentos eletrônicos, como celulares, tablets ou computadores pessoais.
Leia mais: Sala-cofre para dados de Vorcaro no Senado
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)