Vorcaro e Camisotti cobram Fachin por pedidos de liberdade parados no STF
Vorcaro está preso desde março e Camisotti, há um ano e dois meses; ambos dizem estar sem indiciamento ou ação penal
As defesas de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, e o empresário Maurício Camisotti, pediram nesta quinta-feira, 8, ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, que André Mendonça possa analisar requerimentos relacionados à prisão preventiva dos dois.
Em petições separadas, os advogados afirmam que os pedidos urgentes ficaram em um “limbo” após a remessa dos processos à Presidência da Corte.
Vorcaro é investigado no âmbito da Operação Compliance Zero, que apura suspeitas de fraudes bilionárias envolvendo o Banco Master, incluindo a negociação de carteiras de crédito com o BRB.
Ele foi preso pela primeira vez em novembro de 2025, chegou a ser solto com medidas cautelares e voltou à prisão preventiva por decisão de André Mendonça em 4 de março de 2026. Na ocasião, o ministro acolheu pedido da Polícia Federal e apontou, entre os fundamentos, risco concreto de interferência nas investigações, além da necessidade de garantir a ordem pública, a instrução e eventual aplicação da lei penal.
Já Maurício Camisotti está preso preventivamente no âmbito da Operação Sem Desconto, que apura o esquema de descontos associativos irregulares em benefícios do INSS. A Segunda Turma do STF manteve sua prisão ao considerar elementos como indícios de continuidade delitiva, ameaça a testemunhas, ocultação e dilapidação patrimonial e movimentações financeiras consideradas suspeitas.
Camisotti é apontado nas investigações como um dos envolvidos no núcleo empresarial que teria se beneficiado do esquema.
Os processos dos dois estão sob a relatoria de André Mendonça, mas acabaram remetidos à Presidência do STF por causa da crise envolvendo a condução das investigações por Mendonça e as citações a integrantes da própria Corte. Em 3 de setembro, Fachin abriu a Petição 16.704 para examinar a regularidade dos procedimentos relacionados às apurações e às imputações envolvendo ministros do Supremo.
Em 12 de setembro, Fachin determinou que fossem enviados à Presidência tanto a Petição 15.556, do caso Master, quanto a Pet 15.041, ligada à Operação Sem Desconto, com todos os processos relacionados.
É exatamente esse deslocamento que as defesas agora dizem ter criado o “limbo”: elas afirmam que pedidos de soltura ficaram sem decisão porque a Presidência orientou que urgências fossem encaminhadas a Mendonça, enquanto o gabinete dele respondeu que os autos estavam com a Presidência e já havia solicitado sua devolução.
(Em atualização)
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)