“Vir solto e sair solto é tapa na cara”, diz relator da CPMI sobre depoente
Comissão parlamentar do INSS fez oitiva de presidente da Amar Brasil, mas depoente deixou de responder a várias das perguntas
O relator da CPMI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), disse nesta quinta-feira, 4, que o presidente da Amar Brasil Clube de Benefícios (ABCB), Américo Monte Júnior, deveria estar preso no sistema prisional federal por envolvimento no esquema de descontos não autorizados em aposentarias e pensões. A entidade é investigada pela Polícia Federal (PF) por realização de descontos irregulares nesses benefícios.
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito, do Congresso, fez nesta quinta a oitiva de Américo Monte Júnior, mas ele compareceu com um habeas corpus garantindo o direito de permanecer em silêncio. Dessa forma, deixou de responder à maioria dos questionamentos.
“Américo Monte Júnior deu um rombo muito maior que Fernandinho Beira-Mar e Marcola. Causou mais dor nas pessoas do que esses dois. E a população, se eu botasse esse rosto com ele vestido dessa forma, talvez a população não tivesse o mesmo sentimento. Para mim, o que eu tenho aprendido nesta jornada é que nós não podemos olhar a cor, posição social, poderia econômico, proteção político”, pontuou Gaspar, durante a oitiva.
“Nós não podemos ter um Brasil dividido em dois: um Brasil que quer pena dura para bandido do povo e um Brasil que aceita habeas corpus preventivo para bandido com dinheiro. O Brasil não pode continuar dessa forma. Nós não podemos levar tapa na cara em cima de tapa na cara. Quase 1 bilhão de reais vai entrar pela porta da frente e vai sair pela porta da frene desta CPMI porque tem um habeas corpus protegendo”.
Ele prosseguiu: “Mas esse cidadão faz parte de uma organização criminosa que, no mínimo, já que não tem pena de morte e prisão perpétua, deveria estar encarcerada no sistema prisional federal, para, quando estivesse recolhido lá, poder dizer quem são os seus parceiros finais, poder dizer quem são os seus protetores políticos. O Brasil não aguenta mais isso. Vir e ficar calado é um direito constitucional. Mas vir solto e sair daqui solto é um tapa na cara do povo brasileiro“.
Segundo Gaspar, Américo Monte Júnior deveria estar preso “há muito tempo”. O depoimento foi o último que a CPMI realizou neste ano.
Questionamentos
A primeira pergunta que o relator fez ao depoente foi por que ele recebeu auxílio emergencial do governo em 2020 e 2021. Entretanto, Monte Júnior usou o direito ao silêncio e não respondeu.
“O Brasil ainda é um país de oportunidades. Recebeu auxílio emergencial por mais de um ano e, quatro anos depois, virou multimilionário. Por que Américo Monte está aqui hoje? Para a gente saber se essa prosperidade foi fruto do trabalho ou se essa prosperidade foi roubo do dinheiro dos aposentados e pensionistas”, falou Gaspar na sequência.
O relator também perguntou ao depoente, entre outros pontos, se ele recebeu o auxílio porque viu uma oportunidade de retirar “o dinheiro do povo mais sofrido do Brasil”; o que as empresas das quais ele é sócio-administrador representam; e se ele conhece o ex-diretor de benefícios do INSS André Fidelis. Em todas, Monte Júnior ficou em silêncio.
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