Vice-líder do governo pede inelegibilidade de Flávio por carta “golpista”
Representação cita carta divulgada nos EUA, pede preservação das duas versões e envio do caso à esfera criminal da PGR
O deputado federal Alencar Santana (PT-SP), primeiro vice-líder do governo na Câmara, protocolou nesta quinta-feira, 29, uma representação na Procuradoria-Geral Eleitoral contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), por causa da carta divulgada pelo filho de Jair Bolsonaro na quarta, 28.
O petista pede o reconhecimento da representação como notícia de fato eleitoral e a instauração do procedimento cabível; e a apresentação, perante o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) contra Flávio, por uso indevido dos meios de comunicação social e abuso de poder político, com pedido de declaração de sua inelegibilidade para as eleições que se realizarem nos oito anos subsequentes ao pleito de 2026.
Além disso, a requisição aos provedores de aplicações de internet em que a carta foi publicada, ou o requerimento cabível à Justiça Eleitoral, para que preservem o conteúdo, as versões, os metadados, os registros de acesso e o histórico de edição das publicações, inclusive da versão original com o brasão de 1889; e a avaliação da pertinência de requerer ao Tribunal Superior Eleitoral a cessação da divulgação.
O petista argumenta que numa primeira versão do documento, de teor golpista, Flávio se apresentou como o “verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Além disso, atribuiu o resultado da eleição presidencial de 2026 a uma fraude conduzida por integrantes de uma organização criminosa; e anunciou que liderará, a partir do exterior, uma estratégia de mobilização para impedir a consolidação do que chama de regime ditatorial.
“Os elementos reunidos a seguir indicam que a manifestação envolve três ordens de gravidade que interessam diretamente ao Ministério Público Eleitoral: o ataque ao sistema eleitoral e à Justiça Eleitoral, por meio da imputação de fraude sem nenhum lastro; a recusa deliberada em reconhecer o resultado proclamado, acompanhada da afirmação de um título concorrente ao do candidato eleito; e um teor de ruptura com a ordem constitucional que justifica, além da resposta eleitoral, a apuração na esfera criminal”, acrescenta Alencar Santana.
Após a divulgação da primeira versão da carta e da repercussão negativa, Flávio divulgou novas versões com o brasão da República Federativa do Brasil corrigido, não mais se referindo ao país como “Estados Unidos do Brazil”, e deixou de se apresentar como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”; ele passou a se definir como “o líder do Brasil”.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)