“Vi o meu amigo morrer na minha frente”, diz sobrevivente de ataque do Hamas
Rafael Zimerman sobreviveu ao 7 de outubro de 2023; em discurso, criticou ainda a saída do Brasil de aliança sobre o Holocausto
Rafael Zimerman, sobrevivente brasileiro dos ataques terroristas do Hamas contra a população civil de Israel em 7 de outubro de 2023, relatou nesta terça-feira, 7, no plenário do Senado, o que passou naquele dia e fez críticas ao posicionamento do governo Lula (PT) em relação a Israel. O Senado realiza uma sessão especial em memória dos dois anos de ocorrência dos ataques.
Leia a edição especial sobre os dois anos dos ataques de 7 de outubro.
Segundo o senador Sergio Moro (União-PR), que preside o evento, o objetivo deste é honrar as vítimas, rogar pela libertação dos reféns remanescentes e pelo reconhecimento do direito de existência de Israel, contra o antissemitismo e em favor da paz no Oriente Médio.
Zimerman estava num festival de música no sul de Israel quando o Hamas atacou. Quando o ataque começou, ele foi para um abrigo. “Eu estava encostado na parede, bem ao fundo do abrigo, e a primeira coisa que os terroristas fizeram foi jogar um gás. Um gás que o objetivo era, claramente, nos matar asfixiados, assim como aconteceu no Holocausto”, relembrou.
“Eu tinha certeza que ia morrer. Eu tinha certeza. Inclusive, minha mãe odeia que eu fale isso, mas eu pedi para morrer várias vezes. Eu tentei respirar, rezei bastante, eu costumo falar que até o ateu nessa hora vira o mais religioso”, pontuou.
Quando os terroristas começaram a atirar dentro do abrigo, ele viu seu amigo, também brasileiro, ser alvejado.
“Eu vi o meu amigo morrer na minha frente. Quero que cada pessoa nessa sala saiba que ele não é um nome numa lista nem um número. Ele era um jovem maravilhoso, com sonhos pela frente, adorava música eletrônica, tinha um sorriso cativante, e com seus 20 e poucos anos ele sabia seis línguas. E que pretendia inclusive voltar a morar no Brasil, dois meses depois”, afirmou.
“E apaixonado por Rafaela, estavam apenas começando uma vida. Eles estavam há um mês juntos. Para vocês terem noção, a Rafaela tinha 19 anos. Foi morto por ser judeu, assim como outros brasileiros”.
Zimerman ressaltou que os terroristas foram casa por casa, assassinando famílias, cortando cabeças, queimando pessoas vivas, estuprando mulheres e sequestrando.
“Trinta e três deputados assinaram uma carta de apoio ao Hamas. Imaginem eu, como brasileiro, ver isso acontecer no meu país. Com aqueles que tentaram me matar. Apoiando, chamando os terroristas de heróis e os reféns de prisioneiros”, criticou o sobrevivente.
Ele ficou quase cinco horas dentro do abrigo se fingindo de morto naquele 7 de outubro de 2023, até ser resgatado.
“Semanas atrás, o presidente [Lula] disse que nós, judeus e brasileiros, deveríamos escrever uma carta ao primeiro-ministro de Israel para acabar com a guerra. Ainda não acredito, mas eu quero responder: com todo respeito, presidente Lula, eu não vou escrever nenhuma carta para o [Benjamin] Netanyahu. Esse pedido é tão absurdo quanto seria pedir aos brasileiros de origem árabe que escrevam uma carta ao líder do Hamas para que liberte os reféns”, disse Zimerman.
Ele criticou diretamente também a retirada do Brasil da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA): “Como se não bastasse tudo que a gente está vivendo, a memória das vítimas é desrespeitada e jogada na lama da luta política”.
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Comentários (1)
Osmair Mendonça
07.10.2025 13:46A esquerda brasileira é deplorável, digna de desprezo e repudio .