Van Hattem cobra CPI após intimação de presidente da Unafisco
Deputado fala em “episódio gravíssimo” e pressiona Hugo Morra a instalar CPI do Abuso de Autoridade
O deputado federal Marcel Van Hattem (Novo-RS) reagiu à intimação do presidente da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal (Unafisco), Kléber Cabral, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes. O parlamentar cobrou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar supostos abusos de autoridade.
“Minha solidariedade a Kleber Cabral, presidente da Unafisco que entra para a longa lista de brasileiros intimados e intimidados por ousarem criticar ministros do STF”, afirmou.
Van Hattem classificou o episódio como “gravíssimo” e “protagonizado por Alexandre de Moraes, que escancara os abusos que venho denunciando há anos”. O deputado também voltou a defender a abertura da chamada “CPI do Abuso de Autoridade”. “Chega. É urgente instalar a CPI do Abuso de Autoridade, de minha autoria, na Câmara dos Deputados. Presidente Hugo Motta: vamos abrir esta CPI, pelo bem do Brasil”, declarou.
Repercussão política
A intimação também gerou reação de entidades e outras lideranças. A Transparência Internacional — Brasil afirmou que o episódio reforça preocupações sobre a atuação do Supremo Tribunal Federal e classificou como “cada dia mais estarrecedor o autoritarismo que emana do STF”.
No Congresso, parlamentares da oposição também criticaram a medida. O senador Rogério Marinho (PL-RN) destacou que a convocação de Kléber Cabral representa um risco às liberdades institucionais e alertou para o uso de estruturas do Estado contra críticos do Judiciário.
Kléber Cabral foi intimado pela Polícia Federal por determinação de Moraes, no âmbito de um inquérito do STF que investiga o acesso indevido a dados fiscais de ministros da Corte e de seus familiares. A convocação ocorreu após o dirigente conceder entrevistas à imprensa comentando o caso de servidores investigados e criticando medidas cautelares impostas.
Meio-Dia em Brasília
Em entrevista ao programa Meio-Dia em Brasília, Cabral afirmou que as restrições impostas aos investigados equivaleriam, na prática, a um regime semiaberto. Segundo o dirigente, as medidas incluem uso de tornozeleira eletrônica e restrições de deslocamento, o que, em sua avaliação, seria desproporcional diante dos fatos investigados.
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