"Vai acabar quando terminar", diz Gilmar sobre inquérito das fake news

25.10.2026

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“Vai acabar quando terminar”, diz Gilmar sobre inquérito das fake news
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Redação O Antagonista
7 minutos de leitura 23.04.2026 08:41 comentários
Brasil

“Vai acabar quando terminar”, diz Gilmar sobre inquérito das fake news

"Não acho que seja um escândalo do Supremo Tribunal Federal", diz decano do STF sobre caso Master em entrevista na qual defendeu apenas autocrítica interna dos ministros

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“Vai acabar quando terminar”, diz Gilmar sobre inquérito das fake news
Foto: Luiz Silveira/STF

Gilmar Mendes (foto) concedeu uma longa entrevista ao Jornal da Globo na noite de quarta-feira, 22, para defender o Supremo Tribunal Federal (STF) das críticas sobre a atuação dos ministros, em especial no que diz respeito ao escândalo do Banco Master.

Segundo o decano do STF, “o caso do Master é um problema mais profundo” e foi a imprensa que “trouxe o caso Vorcaro para a Praça dos Três Poderes”.

O endereço do escândalo, segundo Gilmar, “está na Faria Lima”, o centro financeiro do Brasil.

Até onde se sabe, contudo, não foi um jornalista que assinou um contrato de 129 milhões de reais com o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro Alexandre de Moraes, nem um editor que relatou de forma esquisita o caso do Master no STF apesar de uma empresa da qual é sócio ter feito negócios com o banco de Daniel Vorcaro em um resort no Paraná, como fez o ministro Dias Toffoli.

Inquérito das fake news

Questionado sobre o interminável inquérito das fake news, que está em seu sétimo ano, Gilmar disse ter “a impressão de que o inquérito continua necessário”.

“E ele vai acabar quando terminar, é preciso que isso seja dito em alto e bom som. O tribunal tem sido vilipendiado. Veja, por exemplo, a coragem, eu diria, a covardia do relator da CPI do Crime Organizado de atacar a Corte, pedir indiciamento de pessoas, não cuidando de quem efetivamente cometeu crime. Isso pode ser deixado assim? Acho que não. É preciso que haja resposta. Eu acho que foi um momento importante de o Supremo ter aberto o inquérito e mantê-lo pelo menos até as eleições. Acho que é relevante”, completou o decano do STF.

Perguntado sobre a crise de confiança por que passa o Supremo e a proposta de um código de conduta, Gilmar preferiu apontar o dedo para fora do tribunal:

“Quanto à crise de confiança, era bom que vocês olhassem como está a relação de confiança em relação às várias instituições, Forças Armadas, em relação à própria imprensa, para ver como que se dá o quadro em termos comparativos”.

“E acho que nós devemos discutir. A questão, a meu ver, do código de conduta, assim chamado, é de oportunidade. E eu cito sempre um bom exemplo: a ministra Rosa Weber teve uma curta presidência, mas uma bem-sucedida presidência, que enfrentou o 8 de janeiro. E ela enfrentou dois graves problemas no tribunal, problemas institucionais: decisões monocráticas e a questão dos pedidos de vista, que ficavam perdidos de vista. A ministra Rosa nos reuniu, colocou uma proposta regimental e isso foi aprovado. E o problema foi resolvido, internamente, sem se fazer alarde disso. É só essa questão que se coloca. Quanto a aprovar código de ética ou buscar as regras já existentes na Loman, na lei de Improbidade, eu estou de acordo”, comentou.

Segundo o ministro, o STF é regido por “um parlamentarismo, presidente não decide per se”.

“Autocrítica é crítica interna”

Questionado sobre a necessidade de os ministros do STF fazerem uma autocrítica, Gilmar disse que “autocrítica é crítica interna”.

“Fizemos isso ao longo de toda a vida. Por isso, essa instituição é duradoura. Eu mesmo sou defensor do que chamo sempre ‘fuga para frente’. É fundamental que isso seja feito. Espero que a imprensa faça também a sua autocrítica. A imprensa, por exemplo, apoiou a Lava Jato, não escutei depois autocrítica em relação à Lava Jato”, disse o ministro, como se não houvesse vozes discordantes na imprensa brasileira, inclusive sobre a Lava Jato.

O decano do STF disse, contudo, que os ministros devem explicar o que estão fazendo:

“Em relação à opinião pública, é necessário entender o que é foto e o que é filme. Certamente nós vivemos uma crise das muitas instituições. Eu vivo pelo mundo afora, e a gente vê a debilidade das lideranças em todo o mundo. A imprensa também não vive o seu melhor momento, nós sabemos como as pessoas veem a imprensa. Mas esse é o único instrumento que se tem. As redes sociais tumultuaram os critérios para o próprio julgamento, cada qual se enfia nessas bolhas, e certamente isso não deve levar-nos a minimizar as críticas. Devemos respeitar as críticas, algumas são aceitáveis, outras não. E nós devemos explicar o que estamos fazendo. Eu, como você sabe, não me recuso a explicar aquilo que entendo que deva ser explicado, acho que é fundamental. E estou longe de ver o copo mais vazio, Eu prefiro vê-lo meio cheio. Eu acho que o tribunal cumpre um importante papel numa democracia hoje bastante disfuncional como é a brasileira.”

Leia mais: Dino tenta cavar um pênalti

Reforma do Judiciário

Ao falar sobre a proposta do colega de STF Flávio Dino sobre uma ampla reforma do Judiciário, o decano do tribunal disse que “já deveríamos ter avançado para um novo pacto republicano”.

“[O ministro aposentado Nelson] Jobim chegou a fazer um, eu fiz outro. Vários projetos foram discutidos. Acho que era oportunidade de discutirmos isso. Já falei com o presidente Lula, já falei com Hugo Motta [presidente da Câmara], Já falei com [o presidente do Senado Davi] Alcolumbre, falei com o próprio [presidente do STF Edson] Fachin, acho que seria oportuno discutir, e considero oportuna a ideia trazida pelo ministro Flávio Dino. E, aí sim, discutir questões amplíssimas. Veja, a questão dos penduricalhos é extremamente grave, e o CNJ [Conselho Nacional de Justiça], ao invés de incentivá-lo, já deveria ter resolvido”, comentou o ministro.

Além de reclamar da imprensa, Gilmar também criticou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São Paulo:

“A OAB de São Paulo tem criticado muito o Supremo Tribunal Federal, mas a gente também pode fazer a pergunta: o que a OAB tem feito contra as fraudes perpetradas por advogados?”

Também sobrou bordoada para o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), que Gilmar pediu a Moraes para ser incluído no inquérito das fake news por causa de uma sátira. Ele voltou a sugerir que Zema devia um favor ao STF por decisão favorável ao estado de Minas Gerais.

“Todos nós que atuamos na vida pública temos de ter responsabilidade e não podemos fazer esse tipo de brincadeira. Eu já tive a oportunidade de dizer que o governador Zema só governou Minas Gerais porque obteve liminares aqui no Supremo e deixou sem pagar a dívida para com a União por 22 meses. E agora ele tenta sapatear, talvez aproveitando do momento eleitoral. Uma linguagem muito pouco própria, ele fala uma língua muito próxima do português, mas que é entendida como ofensiva. E isso precisa ser aferido”, disse o ministro.

Leia mais: O problema não é Alessandro Vieira

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Comentários (3)

Maglu Oliveira

23.04.2026 10:59

O novo ditador do Brasil?


23.04.2026 09:03

Gilmar Mendes e sua tropa estão recorrendo à inúmeros recursos para escapar que seus nomes façam parte do inquérito que trata do caso Vorcaro. A população esclarecida já sabe que o STF deve muito no caso. Só falta justiça. Quem poderá impedir essa vergonha?


Márcio Roberto Jorcovix

23.04.2026 09:02

O mais impressionante é que me diz aceitar algumas criticas e outras não. Ou seja, ele não aceita criticas coisa nenhuma. Típica postura de pessoa egocêntrica


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