Urnas registraram 5 mil votos após as 17h, aponta análise dos dados do TSE
Levantamento usa logs públicos das urnas e mostra que votos tardios equivalem a 0,11% da vantagem de Lula sobre Flávio
Uma análise independente dos dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) indica que a extensão do horário de votação até as 19h, determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), foi irrelevante para o resultado da eleição presidencial. O levantamento aponta que pouco mais de 5 mil votos foram registrados depois das 17h nas urnas consideradas alcançadas pela prorrogação.
O levantamento foi feito pelo programador Apolinário Passos a partir dos logs públicos das urnas e disponibilizado na plataforma GitHub. Para separar as seções que efetivamente permaneceram abertas por causa da extensão daquelas que apenas concluíram a votação de eleitores que já estavam na fila às 17h, ele considerou como “estendidas” as urnas cujo procedimento de encerramento ocorreu depois das 17h45.
Nesse recorte, 7.352 urnas permaneceram abertas além do horário adotado como referência e registraram 5.052 votos após as 17h. O total corresponde a 0,004% dos votos registrados e a 0,11% da vantagem de 4,43 milhões de votos obtida pelo presidente Lula (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Dos poucos mais de 5 mil votos, foram 1.966 no Rio de Janeiro, 1.626 em São Paulo, 842 na Bahia, 296 em Pernambuco, 140 na Paraíba e 182 em outros estados.
A disputa entre Lula e Flávio foi marcada por forte polarização e terminou sob tensão após a decisão de Zanin alterar o horário de votação no dia do pleito, devido a relatos da campanha do petista sobre problemas na oferta de transporte público que teriam dificultado o acesso de eleitores às urnas, especialmente em municípios da Bahia.
O ministro estendeu o horário até as 19h, mas depois esclareceu que a medida valeria apenas nas seções que ainda não haviam encerrado a votação às 17h.
A vitória de Lula representa uma virada em relação ao primeiro turno. Em 4 de outubro, Flávio terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual.
Lula chega, assim, ao quarto mandato presidencial. Ele foi eleito pela primeira vez em 2002, reelegeu-se em 2006, voltou ao Planalto em 2023 e, agora, conquista mais quatro anos no cargo.
A campanha do segundo turno foi marcada menos pela apresentação de programas de governo e mais pela tentativa dos dois lados de elevar a rejeição ao adversário. Lula e Flávio trocaram acusações sobre corrupção, segurança pública, economia e suas respectivas trajetórias políticas.
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