Unicamp desenvolve tecnologia para aumentar produtividade no campo
Tecnologia patenteada utiliza resíduos da cana-de-açúcar para impulsionar o crescimento de culturas e oferecer proteção contra condições climáticas extremas
Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma tecnologia que emprega nanopartículas de carbono, conhecidas como carbon dots, para atuar como bioestimulantes vegetais. A PBF Nutrientes, empresa derivada da Unicamp, licenciou a patente e realiza testes de campo com a solução.
A inovação fortalece a produção agrícola, aumenta a eficiência fotossintética e protege culturas diante dos desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Desenvolvimento e aplicação da tecnologia
A técnica desenvolvida na Unicamp, por equipes da Faculdade de Engenharia Mecânica (FEM), Faculdade de Engenharia Química (FEQ) e Instituto de Química (IQ), utiliza um método de síntese assistida por micro-ondas para a produção dos carbon dots. Este processo apresenta menor consumo de energia e oferece maior viabilidade para a produção em larga escala.
Resíduos da cana-de-açúcar, como xarope e melaço, demonstraram ser matéria-prima com adequação para o método. O pesquisador Marco César Prado Soares, doutor em engenharia mecânica pela Unicamp e um dos inventores, afirma que “aí há tudo de que precisamos: sais minerais que atuam como catalisadores, matéria nitrogenada em abundância e diversos grupos orgânicos”.
Soares complementa dizendo que a eficácia da síntese envolve o ajuste de parâmetros como aquecimento, pressão: “É preciso ajustar aquecimento, pressão, potência, tempo, além de outros cuidados essenciais para viabilizar uma síntese ágil, segura e escalável, com potencial de aplicação fora do laboratório. Com isso, transformamos resíduos da cana, que possivelmente seriam descartados, em material de alto valor agregado e com baixo custo”.
As nanopartículas, com menos de 10 nanômetros, emitem luz quando expostas à radiação ultravioleta, o que contribui para a fotossíntese vegetal.
Do laboratório ao campo
A tecnologia, protegida por pedido de patente, foi licenciada à PBF Nutrientes após a participação de seus sócios no Desafio Unicamp 2022. Camila Waltero, cofundadora da PBF Nutrientes, diz que “o desafio nos permitiu conhecer a tecnologia e nos deu base para estruturar nosso negócio. Detectamos que ela se encaixava bem em um problema que já vínhamos estudando. Aprofundamos as pesquisas, desenvolvemos o modelo de negócios e identificamos ali um potencial enorme para aplicação na agricultura”.
A Inova Unicamp intermediou a transferência da tecnologia, assegurando a proteção da propriedade intelectual e o suporte nas negociações.
A fundadora da PBF Nutrientes, Camila Didio, destaca a necessidade de inovação no setor agrícola: “Hoje o produtor rural não pode mais produzir do mesmo jeito de antigamente. A pressão por aumentar a produtividade é enorme, com verões ma is secos, geadas fortes, chuvas intensas, tudo ao mesmo tempo. É preciso buscar soluções que ajudem as plantas a resistirem a esses estresses”.
A empresa já conduz testes em culturas como soja, milho, cana, feijão e trigo. Waltero ressalta a importância da regulamentação: “Sabemos que, embora seja um produto natural, precisamos cumprir as exigências regulatórias para o uso agrícola. Além disso, estamos trabalhando na ampliação da escala porque, para chegar ao mercado, precisamos produzir em volumes que atendam áreas extensas de cultivo”.
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