Uma semana de Bolsonaro internado
Internação prolongada embasa ofensiva por domiciliar e leva Moraes a pedir informações médicas; ex-presidente apresenta melhora, mas segue no hospital
O ex-presidente Jair Bolsonaro completa uma semana internado no hospital DF Star, em Brasília, após quadro de pneumonia bacteriana bilateral decorrente de broncoaspiração. Ele deu entrada na unidade na sexta-feira, 13, após acordar com “calafrios e episódios de vômito“. Apesar da melhora clínica registrada nos boletins mais recentes, ele segue na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), sem previsão de alta.
A última nota médica divulgada aponta que Bolsonaro “manteve boa evolução clínica e laboratorial nas últimas 24 horas”, mas permanece em tratamento com antibioticoterapia endovenosa, suporte clínico intensivo e fisioterapia respiratória e motora. O documento ressalta a necessidade de “monitoramento contínuo e reavaliações periódicas”.
Ao longo da semana, a internação deixou de ser apenas tema médico e passou a influenciar diretamente decisões no Supremo Tribunal Federal (STF). Entre aliados, ganhou força a avaliação de que o quadro abriu uma “janela de oportunidade” para o pedido de prisão domiciliar humanitária, com base no risco à saúde.
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Domiciliar Humanitária
A defesa apresentou, na última terça-feira, 17, novo pedido ao STF para que Bolsonaro passe a cumprir pena em regime domiciliar. A solicitação foi encaminhada ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso. No documento, os advogados afirmam que o ex-presidente necessita de acompanhamento médico contínuo e de condições que não podem ser plenamente asseguradas no ambiente prisional.
“A partir desse dado objetivo, verifica-se que a permanência do peticionário no atual ambiente de custódia expõe o quadro clínico a um risco progressivo”, diz a defesa, ao sustentar que a ausência de vigilância permanente pode agravar o estado de saúde.
O pedido foi instruído com laudos médicos atualizados que indicam a necessidade de cuidados especializados. A ofensiva jurídica foi acompanhada de articulação política. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, se reuniu com Moraes na quinta-feira, 19, e defendeu a concessão da domiciliar. Antes, o senador Flávio Bolsonaro já havia feito movimento semelhante junto ao ministro.
Diante do cenário, Moraes solicitou informações detalhadas sobre o estado de saúde do ex-presidente, em medida voltada a embasar decisões pendentes. O ministro também autorizou visitas de advogados no hospital, garantindo a comunicação com a defesa durante a internação.
Ainda na quinta, um novo episódio reforçou a percepção de fragilidade do quadro. Em publicação nas redes sociais, o ex-vereador Carlos Bolsonaro relatou ter encontrado o pai “apagado” durante visita ao hospital. “Ao entrar no quarto, me deparei com aquele homem forte ‘apagado’ na cadeira, com a cabeça baixa, soluçando enquanto dormia”, escreveu. Segundo ele, Bolsonaro apresentava sonolência em razão das medicações, voz fraca e dificuldades respiratórias. O relato menciona ainda o uso de pulseira com indicação de “risco de queda” e a realização de exames laboratoriais.
Bolsonaro foi condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. Desde 15 de janeiro, cumpre pena no 19º Batalhão da Polícia Militar, em Brasília, conhecido como Papudinha.
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