Um presente de despedida para Rodrigo Pacheco
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, cogita destinar relatoria da PEC que acaba com o regime 6x1 para político mineiro
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), pretende dar para Rodrigo Pacheco (PSB-MG) uma espécie de presente de despedida de sua vida parlamentar: a relatoria da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que acaba com o regime de trabalho 6×1.
Pacheco é um dos principais aliados de Alcolumbre no Senado. Tanto que o senador do Amapá atuou intensivamente para emplacar o amigo no Supremo Tribunal Federal (STF), na cadeira de Luís Roberto Barroso, que está vaga até hoje.
Alcolumbre sinalizou nesta semana que o texto aprovado na Câmara não será votado com rapidez e pode percorrer um caminho mais longo que o esperado — incluindo análise em comissão especial, além da CCJ. A posição irritou senadores da base aliada do presidente Lula, que cobram velocidade na aprovação da matéria.
Em pronunciamento no plenário, o presidente do Senado rejeitou pressões externas pela aprovação imediata. “Não pode rede social, não pode um ou outro ator cobrar do Senado que a matéria chegue de manhã e a gente vote de tarde”, afirmou.
Duplo padrão acirra tensões
Do outro lado, Alcolumbre encaminhou em menos de 24 horas uma PEC apresentada pelo senador Rogerio Marinho (PL-RN), líder da oposição, que propõe o cálculo da jornada por horas trabalhadas, sem piso fixado em lei — texto considerado contrário à proposta governista. Ao mesmo tempo, adotou tom cauteloso em relação à PEC da Câmara, defendida pelo governo.
Governo de olho no impacto eleitoral
A base governista vê no atraso um risco estratégico. O temor é que, caso a PEC não avance em junho, a proposta perca tração no segundo semestre — período em que o Senado historicamente evita votar matérias de peso em razão das eleições municipais e do ciclo político do ano eleitoral.
Diante disso, petistas avaliam recorrer às redes sociais para pressionar o Senado, com a possibilidade de uso do mote “Congresso inimigo do povo”. O presidente da CCJ, senador Otto Alencar (PSD-BA), por sua vez, descartou a PEC alternativa da oposição e declarou que priorizará o texto oriundo da Câmara.
O próximo passo formal está marcado para a terça-feira, 9 de junho, quando líderes do Senado se reúnem para discutir a pauta.
Alcolumbre, porém, já deixou claro que não cederá a pressões: “Não me obrigue, não me ameace, não me ofenda, não me ataque. Que eu vou com a minha consciência, com meu coração, no tempo adequado, decidir como vai ser o meu voto. Simples assim”, declarou no plenário.
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