Transparência Internacional repudia afastamento de ex-juíza da Lava Jato
ONG aponta contraste entre punição à magistrada com a situação de investigados por corrupção e de ministros do STF
A ONG Transparência Internacional – Brasil criticou nesta quarta-feira, 5, a decisão do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) de afastar a juíza federal Gabriela Hardt de suas funções pelo prazo de dois anos.
A magistrada, que substituiu Sergio Moro à frente da 13ª Vara Federal de Curitiba durante a Operação Lava Jato, é investigada por supostas irregularidades na homologação de um acordo bilionário firmado com a Petrobras.
De acordo com a ONG, “juízes do STF estão recebendo milhões através de laranjas, empresas de fachada e contratos obscuros de parentes, pagos por indivíduos e empresas corruptas com processos em seu tribunal”, enquanto “ao mesmo tempo em que persegue implacavelmente juízes de instâncias inferiores que confrontaram a corrupção.”
Segundo a TI, os “corruptos investigados” estão livres e fazendo campanha.
“Enquanto juízes, procuradores, policiais, auditores fiscais e ativistas (inclusive a Transparência Internacional) que ousam enfrentar a corrupção sistêmica são alvos de campanhas incessantes de difamação e assédio judicial. O Brasil jamais será um país íntegro e justo enquanto esta lógica não for revertida”, acrescentou.
Na mesma sessão, o colegiado prorrogou por mais 180 dias o processo administrativo disciplinar aberto contra Gabriela.
Origem do processo
A apuração remonta a 2018, quando a Petrobras celebrou acordo com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos para encerrar investigações conduzidas fora do país.
Parte dos valores obtidos deveria ser repassada ao Brasil.
Em janeiro de 2019, Hardt homologou o entendimento entre a força-tarefa da Lava Jato e a estatal, que destinava cerca de R$ 2,5 bilhões à criação de uma fundação privada sediada em Curitiba, responsável por administrar os recursos.
Suspeitas de irregularidades
Segundo o CNJ, a Corregedoria Nacional de Justiça identificou, em inspeção realizada em 2024, possíveis falhas na homologação do acordo, o que motivou a abertura do processo disciplinar.
As críticas ao entendimento apontavam que a destinação do dinheiro havia sido definida sem participação da União, além do risco de integrantes da força-tarefa exercerem influência sobre a gestão da futura fundação.
Antes da criação do órgão, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, suspendeu os efeitos do acordo e barrou a transferência dos valores. O processo disciplinar apura se Hardt agiu de maneira articulada para viabilizar o acerto. A magistrada nega qualquer conduta irregular.
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Comentários (3)
Ana Lúcia Amaral
06.08.2026 13:30Valéria a pena O Antagonista resgatar a fala do então ministro Barroso, então presidente do CNJ, a respeito a tramitação do procedimento , pela rapidez para encerrar a votação , quando integrantes do colegiado votaram, sem terem lido o relatorio , ao argumento de confiar no relator.
Otreblig50
06.08.2026 10:32Nunca vou esquecer o " PARATEQUIETO " que a Dra. Gabriela Hardt deu no fivefingers logo no início do depoimento ( quando ele quis subir na mesa e fazer comício, hehehe ). "SE COMEÇAR NESSE TOM, TEREMOS PROBLEMAS ". O sapo barbudo sentou prá trás e ficou um gatinho. Mas covarde como poucos, utilizou de todas as mentiras para se vingar. Não vai adiantar nada, a glória daquele momento é dela prá sempre !!!!
Claudemir Silvestre
05.08.2026 21:09É a “justiça” no Brasil de Alexandre de Moraes e LULA !!!