“Temos que fazer o que prometemos, Paulinho”, diz Lula após pressão do MST
Petista cobra ministro sobre reforma agrária no país, em meio à crise com o movimento social
O presidente Lula (PT) cobrou ação “com muito carinho” do ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Paulo Teixeira, em meio à pressão das lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) pela saída do chefe da pasta.
“Temos que trabalhar com muito carinho e fazer o que nós prometemos, Paulinho. Se não for possível, com a mesma verdade que a gente prometeu, a gente diz na cara que não vamos fazer”, afirmou o petista, ao lado de Teixeira, em cerimônia em assentamento no Paraná.
E continuou:
“Ao invés de ter alguém para dizer ‘não’, precisamos ter gente para tentar encontrar uma solução (…) Se for fácil, eu faço. Se for difícil, eu faço. Se não puder fazer, eu falo, para que as pessoas passem a respeitar mais a nossa relação”, disse.
Desarmonia
Ao jornal Folha, um dos dirigentes históricos do MST, Jaime Amorim, se disse insatisfeito em relação às promessas não cumpridas do ministro.
Na semana passada, Amorim deixou de participar de um encontro com o ministro, em Petrolina (PE), como forma de protesto.
O dirigente afirmou que, embora Teixeira seja “um dos melhores parlamentares do país”, “não entende de reforma agrária e não tem interesse em realizá-la”.
Um dos principais focos de atrito é a metodologia adotada pelo ministério para contabilizar os assentamentos.
O MST critica a inclusão de famílias em processos de regularização ou reconhecimento de posse como se fossem novos assentamentos.
Tensões
Desde o início de 2023, a relação entre o MST e o governo petista vem se deteriorando.
No primeiro ano do novo mandato de Lula, o movimento manteve postura mais tolerante, diante do cenário de desmonte herdado da gestão Jair Bolsonaro (PL).
A partir de 2024, porém, aumentaram as cobranças por novos assentamentos e expansão do PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) da agricultura familiar.
Todo o poder ao MST
Reportagem de Crusoé publicada em abril mostra que Lula fez diversos agrados ao MST, sua mais fiel e combativa base de eleitores.
Em pouco mais de dois anos de governo, Lula aumentou o controle que o MST exerce sobre os seus membros e criou meios alternativos de financiar a organização, que promove invasões de terras.
O apoio ao MST é apenas um expediente usado por Lula para reafirmar seu projeto pessoal de poder, com mais quatro anos no Palácio do Planalto.
Segundo uma pesquisa da RealTime Big Data, feita a pedido de Crusoé e O Antagonista, 66% dos brasileiros não apoiam o MST. Somente 32% estão de acordo ou apoiam as demandas da organização.
Leia mais: MST pede a cabeça de Paulo Teixeira
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Comentários (1)
Rosa
30.05.2025 09:16Passando a bola adiante.... igual a no mensalão: " não sei de nada"