Tarifa sobre aço será prejudicial para EUA e Brasil, diz entidade
Instituto Aço Brasil afirmou que o governo chinês promove "concorrência predatória" através da importação expressiva do produto
O Instituto Aço Brasil, entidade que representa as empresas brasileiras produtoras de aço, afirmou que a decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tarifar em 25% as importações de aço e o alumínio, “não será benéfica“ para os dois países.
De acordo com o instituto a parceria firmada por Trump e o Brasil, durante o seu primeiro mandato, garantia aos EUA a importação anual de significativa parcela do produto.
“Os Estados Unidos importaram, em 2024, 5,6 milhões de toneladas de placar por não dispor de oferta suficiente para a demanda do produto em seu mercado interno, das quais, 3,4 milhões de toneladas vieram do Brasil”, diz trecho.
Para o Aço Brasil, os Estados Unidos são o país beneficiado no acordo comercial, obtendo superávit médio de US$ 6 bilhões.
“Considerando, especificamente, o comércio dos principais itens da cadeia do aço– carvão, aço e máquinas e equipamentos – Estados Unidos e Brasil detêm uma corrente de comércio de US$ 7,6 bilhões, sendo os Estados Unidos superavitários em US$ 3 bilhões.“
China
No documento, a entidade destacou ainda que o governo chinês pratica “concorrência predatória” através do aumento expressivo de importação do aço.
“Cabe ressaltar que o mercado brasileiro também vem sendo assolado pelo aumento expressivo
de importações de países que praticam concorrência predatória, especialmente a China, razão pela
qual o Instituto Aço Brasil solicitou ao governo brasileiro a implementação de medida de defesa
comercial, estando em vigência, atualmente, o regime de cota-tarifa para 9 NCMs (Nomenclatura
Comum do Mercosul) de produtos de aço.‘
Eis a íntegra do comunicado oficial:
“O Instituto Aço Brasil recebeu com surpresa a decisão do governo dos Estados Unidos, anunciada nesta segunda-feira (10) de estabelecer alíquota de importação do aço para 25%, independentemente da origem, derrubando, no caso do Brasil, acordo firmado no primeiro mandato do presidente Donald Trump, em 2018, para importação do aço brasileiro.
Naquela ocasião, os governos de Estados Unidos e Brasil negociaram o estabelecimento de
cotas de exportação para o mercado norte-americano de 3,5 milhões de toneladas de semiacabados/placas e 687 mil toneladas de laminados. Tal medida flexibilizou decisão anterior do Presidente Donald Trump que havia estabelecido alíquota de importação de aço para 25%.
Importante ressaltar que a negociação ocorrida em 2018 atendeu não só o interesse do Brasil em
preservar acesso ao seu principal mercado externo de aço, mas também o interesse da indústria de
aço norte-americana, demandante de placas brasileiras. Os Estados Unidos importaram, em 2024,
5,6 milhões de toneladas de placas por não dispor de oferta suficiente para a demanda do produto
em seu mercado interno, das quais 3,4 milhões de toneladas vieram do Brasil. As exportações brasileiras de produtos de aço para os Estados Unidos cumpriram integralmente as condições estabelecidas no regime de “hard quota”, não ultrapassando, em momento algum, os volumes estabelecidos tanto para semiacabados como para produtos laminados.
Cabe ressaltar que o mercado brasileiro também vem sendo assolado pelo aumento expressivo
de importações de países que praticam concorrência predatória, especialmente a China, razão pela
qual o Instituto Aço Brasil solicitou ao governo brasileiro a implementação de medida de defesa
comercial, estando em vigência, atualmente, o regime de cota-tarifa para 9 NCMs (Nomenclatura
Comum do Mercosul) de produtos de aço. Assim, ao contrário do alegado na proclamação do governo americano de 10 de fevereiro, inexiste qualquer possibilidade de ocorrer, no Brasil, circunvenção para os Estados Unidos de produtos de aço oriundos de terceiros países.
Estados Unidos e Brasil detêm parceria comercial de longa data, que vem sendo, historicamente,
favorável ao primeiro. Nos últimos cinco anos, os Estados Unidos tiveram superávit comercial médio de US$ 6 bilhões. Considerando, especificamente, o comércio dos principais itens da cadeia do aço– carvão, aço e máquinas e equipamentos – Estados Unidos e Brasil detêm uma corrente de comércio de US$ 7,6 bilhões, sendo os Estados Unidos superavitários em US$ 3 bilhões.
O Instituto Aço Brasil e empresas associadas estão confiantes na abertura de diálogo entre os
governos dos dois países, de forma a restabelecer o fluxo de produtos de aço para os Estados Unidos nas bases acordadas em 2018, em razão da parceria ao longo de muitos anos e por entender
que a taxação de 25% sobre os produtos de aço brasileiros não será benéfica para ambas as partes.“
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