Tarcísio pediu prisão domiciliar para Bolsonaro em reunião no STF
Governador paulista confirma que levou argumento humanitário a quatro ministros da Corte, e apontou o caso de Fernando Collor como precedente
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirmou na quinta-feira, 12, durante entrevista coletiva em Guarulhos, que aproveitou as reuniões com ministros do Supremo Tribunal Federal para defender a transferência de Jair Bolsonaro (PL) do regime fechado para a prisão domiciliar.
Na quarta-feira, 11, o governador se reuniu com Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Os quatro encontros aconteceram entre 12h e 19h. A pauta oficial era o Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag), conforme informou a assessoria do governo paulista.
“Obviamente, quando a gente tem oportunidade, a gente leva também a questão humanitária. Vocês conhecem a minha posição. É uma posição técnica também”, declarou Tarcísio. “Eu entendo que o presidente não tem saúde para estar em regime fechado. Ele precisa estar com a família para ter a melhor assistência possível”, disse o governador.
Precedente de Collor é citado como base jurídica
O chefe do Executivo paulista argumentou que o Brasil precisa desenvolver uma “postura de maior consideração institucional com ex-presidentes da República”. Segundo ele, existe um entendimento em construção de que a alternativa é viável do ponto de vista jurídico.
Tarcísio citou o caso de Fernando Collor de Mello como precedente. Moraes autorizou que o ex-presidente cumprisse pena em prisão domiciliar, decisão baseada na idade avançada e nos problemas de saúde de Collor. A defesa de Bolsonaro utiliza os mesmos argumentos.
O ex-presidente está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade conhecida como Papudinha. O local integra o complexo da Papuda e é destinado a policiais e pessoas com exposição política. Bolsonaro cumpre pena de 27 anos e três meses e está inelegível.
Reaproximação com a Corte após crise
A ida de Tarcísio ao Supremo representa uma tentativa de restabelecer o diálogo com a Corte. A relação entre o governador e os ministros sofreu desgaste em 7 de setembro de 2024, quando ele atacou o STF em discurso na Avenida Paulista.
Tarcísio agora evita o confronto e promete fazer “muitas conversas com muita gente”, incluindo ministros do STF, em defesa da redução da pena. Ele afirmou que a dedicação ao ex-presidente será política e pessoal.
A transferência de Bolsonaro para a Papudinha foi articulada pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e pelo governador. Segundo informações divulgadas, os dois mantiveram conversas com ministros da Corte em apelo pela prisão domiciliar, com menções a Moraes, Gilmar Mendes e André Mendonça. A Corte negou a versão. A articulação teria contado com participação do presidente do Republicanos, Marcos Pereira, e da senadora Damares Alves (Republicanos).
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