Surge mais um candidato à presidência do PT
Washington Quaquá disputará liderança do partido, após negar apoio ao ex-prefeito Edinho Silva
O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, lançará sua candidatura à presidência do PT (Partido dos Trabalhadores) em 13 de maio, segundo O Globo.
A decisão expõe a divisão interna na corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), que até então contava com o ex-prefeito de Araraquara, Edinho Silva, considerado o candidato único.
Em um grupo de WhatsApp da CNB, Quaquá descartou a possibilidade de apoiar Edinho.
“Nossa [unidade] não! Edinho não é meu candidato! De onde surgiu a candidatura dele? Qualquer militante pode ser candidato… Eu vou lançar a minha na semana que vem!”, escreveu.
Após a saída de Gleisi Hoffman para assumir a Secretaria de Relações Institucionais (SRI), cinco filiados se apresentaram para a disputa a vaga.
Além de Quaquá e Edinho Silva, o ex-presidente da sigla, Rui Falcão, o secretário des Relações Institucionais do PT, Romênio Pereira, e o líder da corrente Articulação de Esquerda, Valter Pomar, figuram como postulantes à vaga.
A eleição interna no PT está prevista para 6 de julho.
Rui Falcão
Na véspera, o deputado federal Rui Falcão bagunçou o tabuleiro do partido ao anunciar que também será candidato.
Falcão presidiu o partido em duas oportunidades: a primeira foi entre 1993 e 1994 e a segunda, entre 2011 e 2017.
Em 12 de março, o petista divulgou uma carta aberta, criticando a busca pela “despolarização”.
“Nosso partido deve rechaçar os apelos à despolarização, palavra da moda que significa levar-nos a uma transição efetiva para o centro, com um forte rebaixamento ideológico, programático e organizacional”, afirmou.
“A construção de coalizões para vencer as eleições e governar não pode ser vista como contraditória com a disputa pública de hegemonia pelos partidos do campo popular. O partido não pode ser reduzido a um braço institucional do governo de frente ampla”, acrescentou.
Edinho Silva, seu principal oponente no PT, tem defendido que o partido precisa ampliar suas alianças e deixar de alimentar a polarização política.
Edinho foi de jatinho?”
Assim como ocorreu no caso de Marta, quem verbaliza de forma mais clara os incômodos com as imposições de Lula é Valter Pomar, membro do diretório nacional do PT. Desde terça-feira, 8, Pomar publica perguntas sobre a campanha de Edinho que lhe teriam sido repassadas por outros petistas.
“Edinho foi de jatinho? Se foi, quem pagou?”, questiona uma das postagens, que diz o seguinte:
“Três pessoas me ligaram para falar a respeito. Mas eu só acreditei quando vi o próprio Edinho postar na sua conta do Instagram um carrossel com o título ‘um final de semana comigo’. Lá estão imagens de Palmas, Cuiabá e Contagem. Ao contrário do que me disseram, não há imagens de Campo Grande, embora uma pessoa tenha insistido comigo que Edinho também teria estado na capital do MS. Com base nas informações divulgadas pelo próprio Edinho, escrevi a mensagem abaixo reproduzida, que enviei ao presidente Humberto Costa cc à tesoureira Gleide Andrade. Junto da mensagem, mandei alguns prints do referido Instagram. Reproduzo tais prints ao final desta postagem. É uma pena gastar tempo com isso, mas já que Edinho vem cobrando transparência da tesouraria do Partido (controlada por sua tendência desde 1995), imagino que ele deva ser o maior interessado em dar o exemplo.”
Na mensagem enviada ao senador Humberto Costa (PE), presidente interino do partido, Pomar questiona diretamente: “Foi o Partido quem arcou com os custos do deslocamento, particularmente o aluguel do suposto jatinho?”.
A resposta encaminhada a Pomar nega que o partido tenha custeado as viagens:
“Em atenção ao pedido de informações referente às viagens realizadas pelo senhor Edson Antônio da Silva aos municípios de Palmas/TO, Cuiabá/MT e Contagem/MG, o Diretório Nacional do Partido dos Trabalhadores informa que não custeou quaisquer despesas vinculadas a tais atividades e não possui quaisquer informações sobre o assunto.”
O dirigente partidário repassou publicamente a Edinho, então, os questionamentos:
Sendo assim, cabe ao Edinho Silva responder:
-ele usou mesmo um jatinho?
-se usou, quem pagou?
Tendo em vista a ênfase que Edinho vem dando ao tema da tesouraria do Partido, imagino que ele compreenda a necessidade de ser transparente nesta e noutras questões.
Afinal, a democracia petista não rima com abuso de poder econômico nem com dinheiro de empresários interferindo no PED.”
Siga a leitura: “Edinho foi de jatinho?”
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