SP mira recorde na produção de biometano em 2026
Estado projeta capacidade de 1 milhão de m³ diários do combustível renovável até dezembro
São Paulo deve encerrar 2026 como o maior produtor de biometano do Brasil, com capacidade instalada de 1 milhão de metros cúbicos por dia — volume que cobriria toda a demanda residencial de gás canalizado do estado.
O anúncio foi feito por representantes da Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) durante evento sobre negócios em biogás e biometano promovido pela InvestSP e pela Associação Brasileira do Biogás (ABiogás).
Liderança consolidada no setor
Segundo a Agência SP, o estado já concentra nove das 19 plantas de biometano em operação no país, com capacidade atual superior a 700 mil m³/dia — o equivalente a cerca de metade de toda a produção nacional. Outras 11 unidades aguardam autorização da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). O potencial máximo estimado para São Paulo chega a 6,4 milhões de m³/dia.
A subsecretária de Energia e Mineração da Semil, Marisa Barros, declarou durante a abertura do evento: “Temos uma infraestrutura que garante ao território paulista uma capacidade instalada superior a 700 mil metros cúbicos por dia, o que representa cerca de metade de toda a produção do país”.
A principal matéria-prima utilizada são resíduos do setor agroindustrial e de aterros sanitários. O aterro de Caieiras, na Região Metropolitana de São Paulo — descrito como o maior da América Latina —, já abastece operações industriais de empresas como a Natura, que utiliza o combustível em 45% de seus processos fabris na unidade de Cajamar e em toda a frota logística que atende a Grande São Paulo.
Transporte e descarbonização na mira
A produção projetada equivale à conversão de aproximadamente 4 mil ônibus urbanos movidos a diesel. A SPTrans já conduz testes experimentais com veículos abastecidos por biometano, dentro do programa BioSP, criado para contornar limitações na infraestrutura de recarga elétrica da capital.
A diretora de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis da Semil, Laís Almada, destacou o papel do combustível no planejamento climático de longo prazo: “O biometano se destaca por ser um combustível de fonte renovável, de baixa intensidade de carbono, e que pode ser injetado diretamente na rede de gasodutos existente ou utilizado na mobilidade, como em frotas pesadas e ônibus, sendo alternativa ao diesel”.
A representante da Cetesb, Allan Cellim da Silva, acrescentou que o biocombustível pode reduzir em até 99% as emissões de gases de efeito estufa em comparação aos combustíveis fósseis, e que cerca de 30 a 40 segmentos industriais já o utilizam em processos produtivos no estado. Para viabilizar a expansão, o prazo médio de licenciamento ambiental foi reduzido para até 60 dias.
No plano internacional, São Paulo firmou acordo com o Swedfund International AB, fundo de desenvolvimento do governo sueco, para estudar a viabilidade de novos gasodutos e modelos de negócio voltados à produção de biofertilizantes a partir de plantas de biometano.
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