SP investe em ciência e inclusão com quatro novos centros de tecnologia assistiva
Objetivo do governo é fomentar pesquisas aplicadas para acessibilidade, esporte e educação de pessoas com limitações no estado
A Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (SEDPcD), em colaboração com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), anunciou a aprovação de quatro novos Centros de Ciência para o Desenvolvimento (CCDs).
O investimento faz parte de um montante de R$ 250 milhões destinado ao fomento de 34 centros de pesquisa. O propósito é gerar soluções aplicadas para os desafios da gestão pública e promover a acessibilidade, a inclusão social e oportunidades de participação para indivíduos com deficiência.
Pesquisa aplicada para a inclusão social
Os CCDs têm a finalidade de unir universidades, entidades governamentais e a comunidade civil. Este esforço conjunto busca soluções inovadoras que tragam impactos diretos na qualidade de vida das pessoas com deficiência.
As pesquisas aplicadas priorizadas foram definidas com base em temas estratégicos, estabelecidos por uma comissão de especialistas da própria SEDPcD.
Segundo Marcos da Costa, secretário da pasta, a ação consolida o compromisso estadual com políticas públicas inclusivas: “Os novos Centros de Ciência para o Desenvolvimento representam mais um passo no compromisso de São Paulo com a inclusão. É fundamental que a ciência esteja conectada com a realidade das pessoas com deficiência, gerando conhecimento que possa ser transformado em soluções práticas e acessíveis para toda a sociedade”.
Entre os projetos destacados, um dos mais importantes é o “Centro de Pesquisa e Orientação sobre Deficiência Visual” (CPODV), sediado na Universidade de São Paulo (USP).
O CPODV atuará na articulação de diversas instituições para mapear exaustivamente as necessidades da população com deficiência visual, e terá como missão desenvolver recursos e tecnologias que aumentem a autonomia dessa população em atividades diárias.
Uma de suas ações é a criação de um observatório para levantar dados e coordenar os esforços em busca de novas soluções, além do desenvolvimento de ferramentas táteis para a educação e cultura.
Tecnologia e esporte no foco dos novos centros
Outra iniciativa validada é a “Plataforma Aberta de Jogos Adaptativos para Educação Inclusiva”, também vinculada à USP. O projeto prevê a criação de games capazes de se ajustar às exigências de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).
A plataforma será acessível a estudantes do primeiro ao quinto ano do ensino fundamental da rede pública estadual.
Para a adaptação em tempo real, a tecnologia empregará modelos preditivos de Inteligência Artificial (IA).
Com foco no esporte, o terceiro projeto é o “Centro Multiprofissional de Estudos Paralímpico e Paradesportivo”, que tem o objetivo de estruturar uma rede de pesquisadores e um ambiente que promova a prática paradesportiva em diferentes contextos, como saúde e alto desempenho.
Diversas instituições acadêmicas, como USP, UNICAMP, UNESP e UNIFESP, participarão deste centro, com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB) e a SEDPcD. O intuito é solidificar São Paulo e o Brasil como referências globais no esporte paralímpico.
Por último, o “Centro de Tecnologia Assistiva e Inclusão Escolar” (CTAIE), da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), focará nas demandas de acessibilidade de estudantes da rede pública.
O centro mapeará as necessidades de alunos com deficiência ou dificuldades de comunicação e aprendizado. O CTAIE utilizará a Inteligência Artificial para atuar como elo entre o levantamento das necessidades e o desenvolvimento de soluções personalizadas.
As soluções serão concebidas utilizando tecnologias avançadas, como a manufatura aditiva (impressão 3D). O CTAIE também capacitará docentes, fornecendo suporte técnico e pedagógico para a aplicação dos dispositivos assistivos desenvolvidos e a realização de ajustes didáticos necessários.
Estes quatro projetos se somam aos centros já estabelecidos no estado, como o “TECVIDA” (USP), que desenvolve cadeiras de rodas e exoesqueletos, e o centro da Unicamp, voltado à acessibilidade linguística em Libras.
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