SP expande rede de distritos turísticos e mira R$ 15 bi em investimentos
Estado chega a nove áreas demarcadas após oficializar dois novos distritos voltados ao turismo de montanha e de aventura
O governo de São Paulo oficializou dois novos distritos turísticos: Alto da Mantiqueira e Águas e Aventuras. Com as novas demarcações, o estado passa a ter nove dessas zonas de desenvolvimento econômico, cujo conjunto deve movimentar cerca de R$ 15 bilhões em aportes privados até 2030.
O modelo foi criado pela Lei 17.374/2021, que tornou São Paulo o primeiro estado brasileiro a regulamentar a figura dos distritos turísticos. O mecanismo exige dos proponentes um plano de implementação detalhado, mapeamento territorial e estrutura de governança compartilhada entre municípios e setor privado.
Novos distritos
O Distrito Turístico Alto da Mantiqueira reúne Campos do Jordão, Santo Antônio do Pinhal e São Bento do Sapucaí. A área abrange mais de 285 milhões de metros quadrados — o equivalente a 42% do território somado dos três municípios. A produção local de azeites e vinhos sustenta parte da oferta gastronômica da região, e a reativação da Estrada de Ferro Campos do Jordão figura entre os projetos estruturantes do distrito.
O segundo novo distrito, Águas e Aventuras, abrange porções dos municípios de Águas de São Pedro, São Pedro e Brotas, cobrindo área superior a 14 mil hectares. A proposta combina o acesso a fontes termais e terapêuticas com atividades ligadas ao turismo de natureza e de aventura.
Distritos já em operação
Entre os sete distritos anteriores, Olímpia se destaca como polo hoteleiro: são mais de nove mil quartos em operação, tornando a cidade o terceiro maior parque hoteleiro do Brasil. O plano de investimentos privados para a região soma R$ 2,7 bilhões até 2030 e inclui a construção de um aeroporto internacional e um centro de convenções.
O Distrito Serra Azul — formado por Itupeva, Jundiaí, Louveira e Vinhedo — projeta aportes de R$ 2,8 bilhões. A área já abriga empreendimentos como Wet’n Wild, Hopi Hari e Outlet Premium, e é apontada como a principal candidata do país a receber parques de marcas internacionais.
Na capital, o Distrito Turístico Urbano Centro de São Paulo, criado em 2024 em parceria com a prefeitura e o setor privado, contabiliza 215 novos empreendimentos de gastronomia, comércio e lazer. O volume investido chega a R$ 2 bilhões, com potencial de alcançar R$ 3,5 bilhões até 2030.
O Distrito de Andradina, no extremo noroeste paulista, atrai visitantes de estados vizinhos e do Paraguai, tendo o parque aquático Acqualinda como âncora. Os projetos de expansão da região somam R$ 2,5 bilhões.
Já o Distrito Portal da Mata Atlântica, que integra o Legado das Águas e outros doze estabelecimentos no Alto Vale do Ribeira — nos municípios de Ibiúna, Juquiá, Miracatu, Piedade e Tapiraí —, é o primeiro distrito de vocação ecológica do Brasil. A prioridade, segundo o governo estadual, é melhorar o acesso viário e a infraestrutura local.
Em Santos, o distrito divide-se em três núcleos: o Centro Histórico–Valongo, com quase um milhão de metros quadrados e previsão de retrofit de 173 prédios catalogados; o entorno do estádio Vila Belmiro, com apelo histórico-esportivo; e o Mercado Municipal, cuja concessão à iniciativa privada prevê a transformação do espaço em polo gastronômico da Baixada Santista.
Segundo o secretário de Turismo e Viagens do Estado, Roberto de Lucena, “os distritos turísticos não são apenas títulos geográficos, mas um ecossistema de atração de incentivos financeiros, simplificação administrativa e desenvolvimento regional. É uma política pública em expansão, com organização de conselho gestor e elaboração de projetos. Trata-se de uma iniciativa conjunta entre Estado, municípios e atores privados em prol de um bem comum: o desenvolvimento”.
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